Tecnologia

Binance congela US$ 2,5 bi: o que se sabe até agora sobre o maior ataque do ano

Binance congela US$ 2,5 bilhões em criptoativos após maior ataque hacker de 2025
Exchange bloqueia fundos e colabora com autoridades para rastrear ativos roubados.

A Binance bloqueou US$ 2,54 bilhões em criptoativos nesta quinta-feira (29) enquanto investiga uma suposta violação de segurança que pode se tornar o maior roubo de 2025. Emissoras de stablecoins parceiras já aderiram ao congelamento, elevando o total imobilizado para além de US$ 4 bilhões.

O valor ainda pode subir. A exchange colabora com agências de aplicação da lei, empresas de inteligência em blockchain e emissores de tokens para rastrear fundos adicionais. A pergunta que fica: quanto desse montante será efetivamente recuperado?

Como a rede de contenção foi acionada

A Tether liderou o bloqueio com quase US$ 1,57 bilhão imobilizados. A Circle seguiu com mais de US$ 800 milhões. A Ripple adicionou cerca de US$ 200 milhões à lista, segundo Jack McDonald, vice-presidente sênior de stablecoins da empresa.

O movimento coordenado mostra como a infraestrutura de stablecoins funciona como uma “válvula de contenção” quando exchanges centrais são comprometidas. Cada emissora tem autoridade técnica para congelar endereços específicos sob ordem judicial ou solicitação de parceiros.

  • Tether: US$ 1,57 bi congelados
  • Circle: US$ 800 milhões congelados
  • Ripple: US$ 200 milhões congelados
  • World Liberty Financial: US$ 27 milhões em stablecoins + US$ 2 milhões em tokens próprios

O que a Binance disse — e o que não disse

Yi He, cofundadora da exchange, afirmou que a Binance “cobrirá todas as perdas decorrentes de ataques cibernéticos”. Changpeng Zhao, também cofundador, classificou o incidente como “um ataque hacker” em publicação no X. A plataforma suspendeu temporariamente o Binance Alpha como precaução.

O comunicado oficial garante que fundos dos usuários “permanecem seguros” e que saques serão retomados quando a investigação for concluída. Não há prazo definido.

O rastro na blockchain e a hipótese principal

Miguel Morel, CEO da Arkham Intelligence, afirma que dados on-chain indicam bilhões drenados por “um agente desconhecido”. O incidente teria começado no início da noite no horário de Brasília. A causa exata — exploração de contrato inteligente, comprometimento de chaves privadas ou vetor interno — segue sem confirmação oficial.

Mas o padrão chama atenção: volumes massivos movidos em minutos, seguida de pulverização entre múltiplas carteiras. Tática comum em grupos especializados em lavagem de criptoativos.

Contexto: o setor sob cerco

Não é caso isolado. Em 2024, criminosos levaram US$ 2,9 bilhões em quase 150 ataques, segundo a TRM Labs. Em setembro, a Bitget perdeu US$ 350 milhões. Autoridades alertam: organizações criminosas usam cada vez mais criptomoedas para mover capital fora do sistema financeiro tradicional, aproveitando a liquidez 24/7 e a pseudonimidade.

A Binance processa volumes massivos — 300 milhões de usuários registrados e US$ 160 bilhões em custódia, conforme relatório anual de 2024. O tamanho a torna alvo constante, mas também lhe dá recursos para resposta rápida.

O que observar nos próximos dias

Binance.US e Coinbase confirmaram não ter sido afetadas. O episódio da Polymarket, também na quinta-feira, foi independente — provedor terceirizado comprometido, negociações já retomadas com promessa de reembolso integral.

Três pontos definem o desdobramento: a velocidade de identificação do vetor de ataque, a capacidade de rastreio antes que os fundos entrem em mixers ou bridges cross-chain, e a transparência da Binance ao detalhar o que falhou. Para quem opera no mercado, a lição prática permanece: diversificar custodiais e monitorar anúncios oficiais em tempo real.