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Três gigantes disputam prêmio de melhor gestão no futebol feminino; veja os números

Bahia, Palmeiras e São Paulo são os finalistas ao troféu de Melhor Departamento de Futebol Feminino de 2026, revelados nesta quinta-feira (29) por voto dos próprios clubes da elite. A cerimônia de premiação acontece no dia 15 de novembro, no Museu do Futebol, em São Paulo. O que separa o vencedor dos demais não está apenas em campo — está no balanço patrimonial e na estrutura de base.

Cada finalista apresenta um modelo de negócio distinto. Um aposta na injeção de capital de um grupo global, outro no ciclo virtuoso de venda de atletas para financiar infraestrutura e o terceiro na formação interna como ativo estratégico. A decisão dos jurados pode sinalizar qual caminho o mercado tende a valorizar nos próximos ciclos.

O efeito City: capital paciente e continuidade técnica no Bahia

Desde que o Grupo City assumiu 90% da SAF tricolor, em 2023, o departamento feminino ganhou centro de treinamento exclusivo e manteve a espinha dorsal do elenco. Das atletas que jogaram em 2025, 19 permaneceram — a maioria como titular absoluta — sob o comando do técnico Felipe Freitas, também mantido no cargo.

O resultado esportivo acompanhou a estabilidade: semifinal da Copa do Brasil pelo segundo ano seguido e, pela primeira vez, top-4 no Campeonato Brasileiro. A convocação da goleira Yanne para amistosos da Seleção contra a Argentina funciona como validação externa do trabalho. O modelo aqui é de integração: a estrutura do futebol masculino (dados, ciência do esporte, logística) transborda para o feminino sem duplicar custos fixos.

Palmeiras: venda recorde financia CT próprio e atletas de seleção

O Verdão trilhou rota oposta. Sem aporte de holding internacional, o clube reinvestiu a maior transferência da história do futebol feminino brasileiro: a centroavante Amanda Gutierres vendida ao Boston Legacy (EUA) por cerca de R$ 6 milhões, em 2025. O recurso bancou a construção de um centro de treinamento dedicado em Vinhedo (SP), em terreno de 692 metros quadrados.

No orçamento de 2026, a previsão de investimento na modalidade alcançou R$ 23,4 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 18,5 milhões foram alocados no elenco — o que permitiu trazer a atacante Bia Zaneratto e a zagueira Antonia, ambas com passagem pela Seleção principal. O título da Supercopa sobre o Corinthians mostrou competitividade imediata, embora as eliminações nas quartas do Brasileirão e da Libertadores indiquem que o pico de performance ainda busca consistência.

  • Investimento total 2026: R$ 23,4 milhões
  • Elenco: ~R$ 18,5 milhões (79%)
  • Infraestrutura (CT Vinhedo): ~R$ 4,9 milhões (21%)
  • Receita de transferência (Gutierres): ~R$ 6 milhões

São Paulo: a base como ativo financeiro e esportivo

Atual campeão brasileiro, o Tricolor expõe um diferencial difícil de replicar no curto prazo: 14 das atletas do elenco profissional passaram pela formação do clube, as “Soberanas”. Duas delas — a zagueira Carol Gil e a atacante Isa — já vestiram a amarelinha. O técnico Thiago Viana subiu da base (sub-16 a sub-20) para o profissional em 2023, garantindo continuidade metodológica.

A estrutura de comissões técnicas foi expandida para categorias inferiores a partir do sub-15, que acaba de conquistar o tricampeonato do Paulista F Petrobras. Em 2026, o clube contratou psicólogas dedicadas: Nathany Cavalcante para o time principal e Djara Fortes para a base — esta última com uma década de serviços prestados ao rival Corinthians. O investimento em saúde mental e performance cognitiva sinaliza maturidade de gestão que extrapola o campo.

O que os jurados (e o mercado) devem observar daqui para frente

O prêmio será decidido por representantes dos próprios clubes da Série A1, o que transforma a votação em um termômetro do que os gestores consideram “boas práticas” replicáveis. Três variáveis tendem a pesar:

  • Sustentabilidade financeira: modelo que não depende de aporte único ou venda pontual.
  • Taxa de conversão de base: percentual de atletas formadas que atingem nível Seleção/elenco principal.
  • Infraestrutura dedicada: CT exclusivo versus compartilhado — impacto em recrutamento e retenção.

Além da categoria principal, o evento de 15 de novembro premiará Craque da Torcida, Revelação, Treinador(a), Jogadora, Artilheira, Gol Mais Bonito, iniciativa contra o feminicídio e a Seleção da Temporada com 11 atletas. Para quem acompanha o negócio do esporte, a leitura dos discursos de aceitação e a exposição de métricas internas durante a cerimônia costumam revelar mais sobre a direção do setor do que o próprio troféu.

Fique atento: a divulgação dos orçamentos detalhados para 2027, prevista para o primeiro trimestre, deve confirmar se a tendência de alta nos aportes (Palmeiras), a estabilidade pós-SAF (Bahia) ou a autossustentação via base (São Paulo) se consolidam como padrão de mercado.