Economia

Recorde de diesel da Petrobras: o custo oculto por litro

Refinaria da Petrobras operando em capacidade máxima com tanques de diesel e tubulações industriais
Petrobras bate recorde de produção de diesel no 3º trimestre, reduzindo importações mas com preços abaixo da paridade internacional

A Petrobras produziu 769 mil barris de diesel por dia no terceiro trimestre, volume 6,7% acima do mesmo período de 2025. O recorde ajudou a cortar importações em 8,8%, mas expõe um dilema financeiro nas refinarias.

A estatal opera no limite da capacidade para segurar o abastecimento interno. O preço praticado, porém, está abaixo da paridade de importação, criando uma conta que não fecha sozinha.

Refinarias no talude e a corrida contra a importação

O fator de utilização das refinarias atingiu 99% no trimestre, cinco pontos percentuais acima do ano anterior. É o nível máximo operacional seguro, deixando margem zero para paradas não programadas.

A estratégia nasceu da necessidade. Com o Estreito de Ormuz sob tensão e ataques a refinarias russas, o diesel importado ficou proibitivo. A resposta foi priorizar a produção nacional, mesmo que isso signifique operar equipamentos no fio da navalha.

  • Produção de diesel: 769 mil bpd (recorde histórico)
  • Importações: 110 mil bpd (-8,8% a/a)
  • Vendas totais: 849 mil bpd (+4,9% a/a)
  • Utilização do parque: 99% (+5 p.p. a/a)

O buraco no preço e o aviso do Itaú BBA

Na abertura desta quarta, o diesel da Petrobras saía R$ 3,76 por litro mais barato que o custo de importação calculado pela StoneX para a Abicom. A subvenção federal ao importado é de R$ 3,52/litro. Na prática, a estatal perderia R$ 0,24 em cada litro se precisasse comprar fora.

A empresa contesta a metodologia e diz usar outros parâmetros. Analistas do Itaú BBA, no entanto, alertam: a manutenção dessa defasagem coloca em risco o cumprimento da política de preços em 2026. “A companhia precisaria fazer aumentos adicionais”, escreveram.

Exportações salvam o balanço enquanto o pré-sal acelera

Enquanto o refino pressiona as margens, a área de exploração e produção bate recordes em sequência. A produção total de óleo e gás saltou para 3,51 milhões de boe/dia, impulsionada por novas plataformas no pré-sal. O recorde anterior, do segundo trimestre, era de 3,34 milhões.

O caixa vem das exportações. As vendas externas de petróleo e derivados atingiram 1,25 milhão de bpd, alta de 21,1%. O óleo combustível puxou a fila, com destino certo: 40% do petróleo bruto embarcou para a China.

O que observar daqui para frente

O cenário monta um jogo de pressão. De um lado, refinarias no limite físico e defasagem de preço que exige reajustes. Do outro, produção recorde de óleo cru gerando caixa forte via exportação. O risco de manutenção não programada nas unidades de refino é a variável que pode forçar a mão da gestão nos próximos meses — seja nas bombas ou no balanço.