Economia

Cimed mira 50 anos e aposta no consumo para virar o jogo

Logotipo Cimed com produtos de consumo: vitaminas, cosméticos, higiene, simbolizando meta 50 anos e crescimento no varejo
Cimed aposta em bens de consumo para virar motor de crescimento até seu cinquentenário em 2027.

A farmacêutica Cimed está desenhando a celebração de seu cinquentenário, em 2027, com um objetivo claro: transformar a divisão de bens de consumo no novo motor de crescimento da companhia. Hoje, cosméticos, higiene pessoal, vitaminas e suplementos já respondem por 40% do faturamento total. A meta interna é inverter essa proporção nos próximos ciclos.

O anúncio foi feito durante a premiação Folha Top of Mind 2026, onde a empresa dividiu o primeiro lugar na categoria Medicamento Genérico com a Medley. Mas o discurso da liderança mirou outro alvo.

O segredo por trás da virada de chave

Natália Brumati, gerente-executiva de comunicação, resumiu a estratégia em uma frase: a confiança construída em cinco décadas de genéricos será a moeda de troca para vender creme dental, protetor labial e suplementos. A lógica é simples — o consumidor que confia no remédio barato tende a experimentar o hidratante da mesma marca.

Essa transição não é teórica. O caso Carmed prova que a tese funciona na prática.

Como um protetor labial virou case de marketing

A marca Carmed, carro-chefe da frente de consumo, explodiu nas redes sociais graças a uma enxurrada de licenciamentos. Parcerias com Fini, Mattel, Sanrio e outras gigantes do universo infantojuvenil transformaram um produto de prateleira em item de desejo para crianças, adolescentes e — surpreendentemente — adultos colecionadores.

  • Licenças ativas: Fini, Mattel (Barbie, Hot Wheels), Sanrio (Hello Kitty), entre outras
  • Público-alvo expandido: de infantil para jovem/adulto via nostalgia e colecionismo
  • Canal forte: TikTok e Instagram impulsionaram vendas orgânicas

O resultado aparece no balanço: a fatia de não-medicamentos cresce a dois dígitos ao ano, puxada por lançamentos constantes e ciclos curtos de novidade.

O que os números não contam sozinhos

Medicamentos genéricos ainda garantem 60% da receita e o fluxo de caixa previsível que financia a expansão. A Cimed não pretende abandoná-los — a fábrica de genéricos segue como esteio operacional. O movimento é de diversificação calculada, não substituição.

Mas há um risco silencioso: a margem de genéricos é comprimida por regulação e concorrência de preço. Bens de consumo permitem precificação por valor percebido, branding e fidelização. Quem domina as duas pontas ganha resiliência.

O que observar daqui para frente

Até 2027, três sinais indicarão se a aposta deu certo: a velocidade de lançamento de novas linhas sob marcas próprias (não só licenciadas), a penetração em canais além do varejo farmacêutico — supermercados, e-commerce puro, perfumarias — e a capacidade de manter o custo de aquisição de cliente baixo enquanto escala. Se a Cimed conseguir replicar o fenômeno Carmed em categorias como skincare, cabelos ou nutracêuticos, o cinquentenário marcará não apenas uma data, mas a reinvenção do modelo de negócio.