Um doce de leite em barra com formato triangular, produzido em São João del Rei, acaba de ser eleito o melhor do Brasil pelo Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026. A conquista coloca a marca Alferes do Tacho no radar de investidores e empreendedores do setor de alimentos premium. Mas o diferencial vai muito além da geometria.
A premiação, anunciada em 15 de outubro em Brasília, avaliou 115 amostras de doces de leite de todo o país. O vencedor mineiro superou concorrentes de seis estados e levou o único ouro da categoria para a região do Campo das Vertentes.
O formato que nasceu da arquitetura barroca
Leonardo de Souza Chagas, idealizador do produto, explica que a forma triangular não é apenas estética. Ela remete às linhas das igrejas e casarões coloniais que definem a paisagem de São João del Rei. A proposta, segundo ele, é unir inovação visual a uma receita que resgata a memória afetiva do doce de leite caseiro.
A marca nasceu oficialmente em 2022, embora a produção experimental tenha começado em 2019. Nesse intervalo, Chagas investiu em capacitação técnica: fez cursos de produtos lácteos, fabricação de doce de leite, marketing e queijos especiais pelo Senar, em parceria com o Sindicato Rural local.
Por que esse prêmio muda o jogo para pequenos produtores
O reconhecimento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) funciona como um selo de qualidade com peso de mercado. Para o produtor, a vitória não é um ponto final, mas a validação de um modelo de negócio que alia tradição a gestão profissional.
Dados da edição 2026 mostram a dimensão da competição:
- 115 amostras de doces de leite (pastosos e em barra)
- 170 cachaças e 85 azeites também avaliados
- 30 produtores premiados, sendo 14 de Minas Gerais
O vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, destacou durante a cerimônia que iniciativas como essa ampliam o acesso de produtos artesanais a mercados nacionais e internacionais. Em outras palavras: a porta para escalar a distribuição acaba de se abrir.
O que observar daqui para frente
Com o prêmio em mãos, a tendência natural é a busca por canais de venda mais estruturados — empórios especializados, redes de varejo gourmet e exportação. O desafio será manter a produção artesanal em escala sem perder a identidade que conquistou o júri.
Para quem acompanha o setor de alimentos diferenciados, o caso Alferes do Tacho vira estudo de caso: como transformar patrimônio cultural local em ativo competitivo nacional. O próximo passo do produtor dirá se a receita do sucesso também leva fermento de gestão.
