O Santander Brasil fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 2,885 bilhões, queda de 28% na comparação anual que pegou analistas de surpresa. O resultado ficou abaixo do consenso de mercado, mas o verdadeiro alerta está no horizonte traçado pela nova gestão.
A rentabilidade medida pelo ROAE despencou para 11,9%, o menor patamar em anos. A pergunta que fica: até quando o banco vai pagar a conta de uma carteira mais arriscada?
O peso das provisões no balanço
O vilão da vez tem nome e valor: R$ 7,46 bilhões reservados para devedores duvidosos (PDD). O montante subiu 14,4% em doze meses, consumindo a receita que sustentaria a rentabilidade histórica da instituição.
Esse movimento não é aleatório. A inadimplência acima de 90 dias avançou para 3,4%, alta de 0,6 ponto percentual ante o mesmo período de 2025. O banco admite pressão pontual em dois pilares sensíveis: agronegócio e baixa renda.
Carteira cresce, mas muda de perfil
Apesar do cenário adverso, o estoque total de crédito atingiu R$ 721,26 bilhões, expansão de 4,7% na base anual. A composição, porém, revela a nova estratégia defensiva:
- Grandes empresas: avanço de 4,3%, foco em menor risco;
- Consignado e pessoal: retração deliberada nas pontas mais voláteis.
O recado é claro: o Santander abriu mão de volume arriscado para proteger o capital. A rentabilidade imediata cai, mas a resiliência sobe.
A estreia de Finkelsztain e a promessa de 2027
Foi o primeiro balanço sob o comando de Gilson Finkelsztain, ex-CEO da B3, que assumiu em julho com a missão de virar o jogo. O discurso é de “disciplina e seletividade”, mas analistas já avisam: a recuperação consistente do ROAE só deve aparecer em 2027.
Isso significa mais seis a oito trimestres de margens comprimidas. Para o investidor, a equação passa a ser: paga-se agora pelo erro de precificação de risco passado ou aposta-se na limpeza do balanço para o ciclo seguinte?
O que observar daqui para frente
Três variáveis vão ditar o ritmo da recuperação: a velocidade de queda da PDD nos próximos relatórios, a estabilização da inadimplência no agro e a capacidade do banco de retomar originação rentável sem relaxar o crédito. O mercado já precificou a dor; o prêmio virá para quem acertar o timing da virada.
