Economia

Prazo acaba sexta: a escolha tributária que pode custar caro ao seu Simples

Empresário analisa documentos tributários com calculadora e calendário marcando prazo 30 de novembro para Simples Nacional
Prazo para escolha de regime tributário no Simples Nacional termina sexta-feira (30) com alíquota da CBS ainda indefinida.

Termina na próxima sexta-feira (30) o prazo para que empresas do Simples Nacional definam como vão operar sob a nova reforma tributária. A decisão impacta diretamente o caixa a partir de janeiro — e a alíquota da CBS, peça-chave do cálculo, só será conhecida no mesmo dia.

Contadores ouvidos pela reportagem têm orientado um caminho de menor risco: optar agora pelo regime híbrido e rever a escolha até 20 de dezembro. Mas há detalhes que ninguém está contando em uma frase só.

O que está em jogo na sexta-feira

Duas opções estão na mesa. No regime “puro”, a empresa continua recolhendo pelo DAS com a carga atual, sem direito a créditos de insumos. No regime híbrido, paga CBS e IBS com alíquota cheia, mas pode descontar o que pagou em insumos.

A diferença parece técnica, mas muda a margem de quem compra muito para revender ou transformar. E a alíquota da CBS — que o TCU divulga amanhã e o Senado ainda pode alterar — define se o híbrido compensa ou pesa no bolso.

Por que os contadores recomendam o híbrido agora

A janela de arrependimento vai até 20 de dezembro no Portal do Simples. Quem escolhe o híbrido hoje ganha tempo para simular com números reais, já sabendo a alíquota oficial. Quem vai de “puro” trava a decisão sem saber o custo final do outro lado.

  • Regime puro: mantém DAS, carga atual, zero crédito
  • Regime híbrido: CBS + IBS cheios, com crédito de insumos
  • Revisão permitida: até 20/12 no portal do Simples
  • Efeitos: valem a partir de janeiro de 2025

Especialistas alertam: empresas com alta intensidade de insumos tributados (indústria, comércio com fornecedores formais) tendem a ganhar no híbrido. Serviços com poucos insumos podem perder.

O calendário que ninguém decora

A escolha de agora não é definitiva para sempre. Em março de 2027, abre-se nova janela com efeitos a partir de julho. Até lá, a transição convive com regras antigas e novas simultaneamente — o que exige controle contábil redobrado.

Quem optar pelo híbrido precisará segregar créditos de CBS/IBS desde o primeiro dia. Isso exige sistema preparado e equipe treinada. Não é só marcar uma caixinha no portal.

O que observar daqui para frente

A alíquota da CBS sai amanhã. Se vier acima do teto estimado por especialistas (27,5% a 28%), o regime híbrido fica menos atrativo para a maioria dos pequenos. Se vier abaixo, a conta vira.

O Senado ainda pode mexer no número. E o Comitê Gestor do IBS — que só começa a operar de fato em 2026 — definirá regras de creditamento que hoje ninguém conhece na íntegra.

Até 20 de dezembro, faça três simulações: com a alíquota divulgada, com 1 ponto acima e 1 ponto abaixo. Só assim a decisão de sexta deixa de ser aposta e vira estratégia.