Nos bastidores do poder, já se desenham os movimentos para o dia seguinte à eleição de domingo (25). A disputa não é apenas pela Presidência: cargos vitais no Tribunal de Contas da União e no Supremo Tribunal Federal estão no centro de negociações que podem redesenhar o equilíbrio entre os Três Poderes.
Duas operações simultâneas ganham contorno. De um lado, cogita-se a ida do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco — hoje no TCU — para uma cadeira no STF. Do outro, o atual comandante da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria sendo sondado para ocupar justamente a vaga que Pacheco deixaria aberta no tribunal de contas.
Por que Alcolumbre trocaria o Senado pelo TCU
A permanência de Alcolumbre no comando do Senado tornou-se incerta independentemente do resultado nas urnas. Se a chapa bolsonarista vencer, a força de nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) — ambos articulados para assumir a presidência da Casa — torna sua reeleição improvável.
Mesmo em cenário de vitória petista, a composição do Senado, com forte viés à direita, dificultaria a governabilidade de Alcolumbre à frente do plenário. A equação política, portanto, aponta para uma saída honrosa e estratégica.
O fator proteção institucional
Interlocutores próximos às negociações revelam que a ida ao TCU não seria apenas uma transição de carreira. Ministros do tribunal contam com foro por prerrogativa de função no STF — o que, na prática, oferece uma blindagem jurídica relevante.
Alcolumbre mantém relação próxima com ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes. Sua atuação à frente do Senado foi marcada pela recusa em pautar pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo. A mudança de endereço institucional preservaria essa aliança e ampliaria sua margem de manobra.
- Cenário 1 — Vitória da oposição: Alcolumbre perde espaço no Senado; TCU surge como abrigo natural.
- Cenário 2 — Vitória do governo: Senado hostil permanece; TCU garante influência e foro privilegiado.
- Pacheco no STF: Abre a vaga no TCU e recompensa lealdade institucional.
O tabuleiro ainda não está fechado
Não há decisão formal, nem indicação encaminhada. As conversas ocorrem em caráter exploratório e dependem, antes de tudo, do resultado das urnas e da correlação de forças que emergirá no Congresso a partir de fevereiro.
Mas o simples fato de a hipótese circular entre atores centrais mostra como a sucessão no Senado e a composição das Cortes superiores já funcionam como moedas de troca na arquitetura de poder para os próximos quatro anos.
O que observar nas próximas semanas
A definição da presidência do Senado, em fevereiro de 2023, será o termômetro real. Se Alcolumbre articular sua sucessão em favor de um aliado e, simultaneamente, seu nome ganhar tração para o TCU, o desenho exposto aqui se confirmará. Até lá, cada declaração pública de líderes do PL, do PP e do União Brasil — assim como os silêncios dos ministros do STF — carrega sinalização tática. Para quem acompanha o risco político-institucional, o movimento das peças no tabuleiro vale mais que o discurso de palanque.
