A rede Savegnago adotou a escala 5×2 em janeiro e viu a produtividade subir sem perder rentabilidade. Mas a queda no turnover e no absenteísmo ainda não apareceu — e o CEO avisa: o verdadeiro teste vem com a redução da jornada para 40 horas em 2028.
Como a troca foi feita na prática
Na antiga escala 6×1, o colaborador cumpria 7h20 por dia. No modelo 5×2, a jornada diária subiu para 8h48, mantendo as 44 horas semanais. Para fechar a conta, a rede cortou o horário de almoço de 1h50 para 1h10 e antecipou o fechamento de domingo para 18h.
O resultado imediato: contratações mais rápidas para a inauguração em Indaiatuba e, meses depois, a expansão do modelo para todas as lojas de varejo.
O que melhorou — e o que não mudou
- Produtividade: subiu. Dois dias de folga seguidos deixam a equipe mais descansada e disposta.
- Custos variáveis: queda no vale-transporte e no vale-alimentação (um dia a menos de deslocamento).
- Acidentes de trânsito: redução mensurável nos trajetos casa-trabalho.
- Rotatividade e absenteísmo: seguem altos. A expectativa é que a lei, válida a partir de 16 de dezembro, puna faltas com perda de três dias de folga, forçando a queda.
O desafio de 2028: 40 horas semanais
A PEC aprovada prevê jornada de 40h daqui a quatro anos. Se a rede mantiver o mesmo horário de funcionamento, a folha incharia 17% — mais gente, mais vales, mais plano de saúde.
A saída defendida por Chalim Savegnago é reduzir o tempo de porta aberta. O argumento: “Nossos clientes também vão trabalhar menos. Eles terão mais tempo para comprar, então não preciso ficar tanto tempo aberto.”
Regime por hora como complemento, não substituto
O CEO vê espaço para contratos de poucas horas (estudantes, complemento de renda) convivendo com a CLT 5×2. A condição: previsibilidade mútua. “Não pode o patrão avisar na hora: ‘hoje não precisa vir’. O combinado tem de valer para os dois lados.”
Para ele, a liberdade de acertar a jornada reduz atrito e, por consequência, melhora a retenção. Mas ressalva: “O que temos é lei aprovada. O resto é especulação.”
Endividamento, juros e expansão
Savegnago aponta o endividamento das famílias — turbinado pelas bets — como freio no consumo. A própria rede tem dívida zero, mas alerta: “Quem precisa de banco para crescer vira refém. Os juros estão prejudicando o Brasil.”
Os planos seguem focados no interior paulista, fortalecendo a bandeira Paulistão Atacadista (13 lojas) e as 64 unidades de varejo atuais.
O que observar daqui para frente
Três variáveis vão ditar o próximo capítulo: a capacidade do setor de negociar redução de horário de funcionamento sem perder receita, a regulamentação do trabalho por hora no Senado e o comportamento do absenteísmo sob a nova regra de dezembro. Se a conta fechar, o modelo 5×2 deixa de ser experimento e vira referência para o varejo de alto giro.
