Economia

Você não vai acreditar: 60% nos EUA precisam de 2º emprego para fechar as contas

Mais de 60% dos trabalhadores americanos já recorreram a bicos para complementar a renda, revela pesquisa da Goldman Sachs Asset Management com 5.106 pessoas. O fenômeno atinge 80% da Geração Z e 77% dos millennials. Mas o mais preocupante não é a quantidade de gente trabalhando dobrado — é o motivo.

Quando o bico vira sobrevivência

Antigamente, renda extra servia para lazer ou planos pessoais. Hoje, é necessidade pura. Entre quem busca trabalho paralelo por razões financeiras, 76% são da Geração Z, 73% millennials e 72% Geração X. Ter emprego fixo não garante mais segurança: 27% dizem que o salário mal cobre as despesas correntes e 8% afirmam não ter segurança financeira nenhuma.

A pergunta que fica: se até quem trabalha full-time não consegue poupar, o que mudou no custo de vida?

O peso das despesas essenciais explodiu

O estudo mostra que gastos tradicionais da vida adulta engoliram fatias muito maiores da renda nas últimas décadas. Veja a comparação entre 2000 e 2026:

  • Casa própria: de 33% para 54% da renda familiar
  • Aluguel: de 21% para 26%
  • Creche: de 12% para 19%
  • Universidade pública: de 25% para 38%
  • Universidade privada: de 65% para 89%

Moradia e despesas do dia a dia são o principal obstáculo para poupar (31%), seguidas pelo pagamento de dívidas (27%). O salário até sobe, mas o custo de viver sobe mais rápido.

Produtividade e retenção pagam a conta

A insegurança financeira não fica só no bolso — invade o expediente. 53% dos trabalhadores dizem que preocupações com dinheiro prejudicam a concentração. 31% faltaram ao trabalho no último ano por problemas financeiros. E 34% pretendem trocar de emprego para melhorar a situação; entre Gen Z e millennials, o percentual passa de 47%.

Mas o efeito mais relevante aparece em outra faixa de renda.

A curva em “U” que ninguém espera

A insegurança não atinge só quem ganha pouco. O estudo identificou um padrão em “U”: preocupação alta abaixo de US$ 100 mil/ano (≈ R$ 550 mil), queda nas faixas intermediárias e novo pico acima de US$ 300 mil/ano (≈ R$ 1,65 milhão).

No topo, o medo não é faltar o básico — é manter o padrão de vida, sustentar responsabilidades crescentes e garantir que a aposentadoria não exija downgrade de lifestyle.

Metas adiadas e aposentadoria em risco

Cerca de 70% dos entrevistados postergaram pelo menos uma meta financeira importante. Na Gen Z, 83%; nos millennials, 78%. As metas mais sacrificadas: reserva de emergência, casa própria, quitação de dívidas e aposentadoria.

O sinal mais forte: a parcela de quem aumentou contribuições para aposentadoria despencou de 55% (2025) para 39% (2026), uma das maiores quedas recentes. A confiança de estar “no caminho certo” caiu em todas as gerações — de 75% para 66% na Gen Z, de 74% para 61% nos millennials, de 58% para 49% na Geração X.

O que observar daqui para frente

O mercado de trabalho americano mostra taxa de desemprego baixa, mas o indicador que importa agora é outro: o salário real depois das despesas essenciais. Se a tendência de custos superando rendimentos persistir, espere três movimentos: maior rotatividade voluntária, pressão por benefícios financeiros (não só salário) e aceleração da economia de gig como complemento obrigatório, não opcional. Para quem gere equipes ou investe em capital humano, a métrica de “engajamento” passa a ter variável oculta: folga no orçamento doméstico do colaborador.