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São Paulo fica fora do comando técnico do IBS: o que está em jogo para a maior arrecadação do país

Mapa do Brasil com destaque para São Paulo fora da diretoria técnica do Comitê Gestor do IBS
São Paulo, maior arrecadador de ICMS, fica sem cadeira na diretoria técnica do IBS.

O estado que responde por quase 30% de todo o ICMS arrecadado no Brasil não terá cadeira nas diretorias técnicas do Comitê Gestor do IBS. A ausência levanta alertas sobre a velocidade da transição tributária que começa em 2029.

São Paulo também retirou servidores que ajudaram a desenhar o novo sistema nos últimos anos. A decisão afeta diretamente a estrutura que vai administrar 75% da arrecadação de estados e municípios.

Por que a ausência paulista pesa mais do que parece

O ICBS representa hoje cerca de 80% da receita tributária total de São Paulo. Qualquer ruído na implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) atinge o caixa do maior contribuinte da federação.

Entidades de auditores fiscais apontam dois riscos imediatos: prejuízo à arrecadação estadual e atrasos no cronograma nacional da reforma. A transição prevista para 2029-2033 depende de regras técnicas ainda em construção.

Mônica Paim de Andrade, presidente da Afresp, resume a preocupação da categoria: “São Paulo precisa estar presente. É nossa arrecadação”.

O conhecimento que saiu da sala de reuniões

Muita da base técnica que sustenta as leis complementares da reforma veio de grupos de trabalho com forte participação de auditores paulistas. A comissão técnica da Febrafite, que reúne fiscais de todos os estados, teve protagonismo paulista na redação das normas.

Maria Aparecida Neto Lacerda e Meloni, presidente da Febrafite, classifica a situação como “inexplicável”: “A construção de tudo que dá suporte legal à reforma veio muito das cabeças desses colegas”.

O que diz a Secretaria da Fazenda de São Paulo

A Sefaz-SP nega sub-representação. Em nota, a pasta afirma que:

  • Disponibilizou mais de uma dezena de servidores que seguem no Comitê Gestor
  • Indicou mais de 20 auditores para as diversas diretorias
  • Mantém servidores assessorando o Conselho Superior
  • Todos os técnicos dos grupos de trabalho seguem atuando, agora em modelo de cessão

A secretaria garante que não há limitação formal à recondução desses profissionais nem à indicação de novos nomes.

Capacitação: o gargalo que ninguém resolveu

Enquanto o impasse persiste, Afresp e Febrafite tocam um programa de treinamento para mais de 3.000 auditores via Escola Superior da Administração Tributária. O convênio abrange secretarias de outros estados, mas não o governo paulista.

Houve tentativa de parceria com a Escola de Governo de São Paulo. Não prosperou. As entidades assumiram os custos para capacitar cerca de 1.500 auditores paulistas, incluindo os recém-concursados.

O que observar nos próximos meses

A transição para o IBS começa em 2029 e se estende até janeiro de 2033. Até lá, a composição técnica do Comitê Gestor definirá a qualidade das normas que vão reger a maior reforma tributária da história recente.

Três pontos merecem atenção: a efetiva ocupação das cadeiras técnicas por servidores paulistas, o andamento dos trabalhos de regulamentação sem os quadros mais experientes e a adesão (ou não) do governo estadual ao programa nacional de capacitação. O custo de eventuais atrasos será dividido entre todos os entes federados.