O novo filme de Tom Cruise arrecadou apenas US$ 3,4 milhões na sexta-feira de estreia nos EUA e projeta um fim de semana inaugural de US$ 7,5 milhões — menos da metade do piso esperado pelo estúdio. O resultado coloca a produção no caminho de um dos maiores fracassos comerciais de 2026.
Dirigido por Alejandro G. Iñárritu e orçado entre US$ 160 e 180 milhões, o longa precisaria de uma bilheteria global várias vezes superior ao custo para apenas empatar. A conta não fecha.
O tamanho do buraco financeiro
A Warner Bros. trabalhava com uma janela conservadora de US$ 12 a 15 milhões para os três primeiros dias. Projeções mais otimistas, anteriores às críticas, chegavam a US$ 20 milhões. O número real — US$ 7,5 milhões estimados — representa uma queda de até 62% em relação à expectativa mais baixa do estúdio.
Para contextualizar: Top Gun: Maverick ultrapassou US$ 1,4 bilhão mundialmente há poucos anos. Agora, Cruise registra sua pior abertura doméstica desde Leões e Cordeiros (2007), drama político que abriu com US$ 6,7 milhões.
Orçamento inflado e aposta de risco
O projeto recebeu sinal verde com US$ 125 milhões. Atrasos e problemas de produção elevaram a conta em até 44%. Estamos diante de uma comédia satírica para maiores, original — sem franquia pré-existente — custando o mesmo que blockbusters de efeitos visuais pesados.
O elenco de peso (Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg, Jesse Plemons) e o retorno de Iñárritu ao cinema em inglês desde O Regresso (2015) justificavam a confiança inicial. No papel, a equação parecia sólida.
Transformação radical e recepção dividida
Cruise aparece irreconhecível: cabelos grisalhos ralos, barriga protética, sotaque carregado. A intenção era romper a imagem de herói de ação indestrutível das franquias Missão: Impossível e resgatar o ator de personagens complexos.
A estratégia esbarrou nas críticas. Com 96 reviews no Rotten Tomatoes, o filme tem 52% de aprovação. Adjetivos vão de “fascinante” e “corajoso” a “desagradável”, “presunçoso” e “tentativa de Oscar que sai pela culatra”. O público, medido pelo CinemaScore, não demonstrou entusiasmo suficiente para sustentar pernas longas nas próximas semanas.
Concorrência direta e timing ruim
Enquanto Digger patina, Verity — adaptação do best-seller de Colleen Hoover com Anne Hathaway — arrecadou cerca de US$ 15 milhões apenas na sexta-feira e caminha para US$ 33 milhões no fim de semana. Quatro vezes a projeção do filme de Cruise.
O lançamento ocorre dias antes da conclusão da aquisição da Warner pela Paramount Skydance. O longa deveria fechar o ciclo do estúdio com prestígio; virou símbolo de instabilidade.
O que observar daqui para frente
- Queda no segundo fim de semana: comédias adultas dependem de boca a boca; a divisão crítica reduz esse motor.
- Desempenho internacional: Cruise ainda tem apelo global, mas sátiras políticas americanas costumam viajar mal.
- Temporada de premiações: indicações poderiam estender a vida em cartaz, mas a recepção mista dificulta.
- Impacto na Warner: o resultado pode influenciar a estratégia de greenlight da nova gestão Paramount Skydance.
Para investidores e executivos, o caso virou estudo de risco: como um astro bankable, um diretor de prestígio e um elenco de primeiro escalão produzem um desastre de nove dígitos. A resposta passa por orçamento fora de controle, posicionamento de marketing confuso e um produto que não encontrou seu público — nem na crítica, nem na bilheteria.
