Economia

Petrobras domina carteiras de outubro: o que os 5 maiores analistas não contam

Gráfico mostra Petrobras como ação mais recomendada por 5 grandes casas de análise para outubro
Petrobras lidera recomendações unânimes de outubro entre as 5 maiores casas de análise do Brasil

As cinco maiores casas de análise do país convergiram em um nome para outubro: Petrobras. O consenso raro acontece enquanto o Ibovespa acumula alta de 5,03% em setembro e a Selic estaciona nos 13,75% ao ano.

Mas a unanimidade esconde divergências perigosas no tamanho da posição e no horizonte de risco. Entender essas diferenças pode ser a linha entre capturar o upside ou ficar exposto ao ruído eleitoral.

O mapa das recomendações: onde cada casa aposta

Itaú BBA, Genial, Monte Bravo, Planner e Ágora divulgaram suas carteiras top 10 para o mês. Petrobras aparece em todas, mas com pesos que variam de 8% a 15% do portfólio teórico. A Petrobras ON (PETR3) lidera preferência sobre a PN (PETR4) em três das cinco casas.

  • Itaú BBA: 12% em PETR3, foco em geração de caixa e dividendos
  • Genial: 15% combinados (ON + PN), aposta em desinvestimentos
  • Monte Bravo: 10% em PETR4, prioriza liquidez
  • Planner: 8% em PETR3, visão conservadora
  • Ágora: 11% em PETR3, énfase em pré-sal

O gatilho que ninguém comenta: dividendos extraordinários

O mercado precifica um dividend yield de 18% a 22% para 2023, baseado no lucro recorde do primeiro semestre. O que as carteiras não explicitam é a dependência do preço do Brent e da política de paridade internacional (PPI). Qualquer sinal de mudança na PPI — tema sensível no palanque eleitoral — recalibra o modelo de valuation instantaneamente.

O primeiro turno no domingo, 4 de outubro, funciona como opção binária de curto prazo. Pesquisas estáveis reduzem prêmio de risco; surpresas nas urnas disparam volatilidade implícita nas opções de PETR3 e PETR4 para níveis não vistos desde março de 2022.

Setores que acompanham o movimento — e os que ficam de fora

Bancos (ITUB, BBDC, BBAS) aparecem em quatro das cinco carteiras, beneficiados pelo spread alto e inadimplência controlada. Energia elétrica (TAEE, CMIG, ELET3) marca presença em três, como hedge defensivo. Já varejo e construção civil somam menos de 5% do peso total — sinal claro de aversão ao ciclo de crédito restrito.

O exterior adiciona pressão: o Fed manteve juros entre 3% e 3,25% e sinalizou mais altas. Dólar forte e curva de juros americana invertida reduzem apetite por emergentes, mas o fluxo local (fundos de pensão e previdência) tem sustentado o Ibovespa acima dos 110 mil pontos.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o desempenho das carteiras nas próximas quatro semanas: (1) resultado do primeiro turno e configuração do segundo; (2) ata do Copom de 20/21 de setembro — qualquer menção a “ciclo de alta encerrado” ou “manutenção prolongada” mexe na curva a termo; (3) balanço do 3T22 da Petrobras, esperado para novembro, mas com prévias de produção em outubro.

Investidor profissional faz o seguinte: mantém posição core em Petrobras, ajusta tamanho conforme tolerância a risco eleitoral, e usa opções de venda (put) como seguro de cauda — custo implícito hoje roda 3,5% do notional para vencimento novembro, prêmio justificável dado o cenário assimétrico.