A Honda lançou a linha 2027 do City com uma versão RS inédita no topo da gama, mas manteve os valores da geração anterior apenas para um lote inicial de 3 mil unidades. Passada a pré-venda, os preços sobem — e a montadora admite que não pretende brigar no desconto com os rivais chineses que chegam com motores híbridos e fichas técnicas superiores.
A estratégia levanta uma dúvida imediata: até quando a reputação de pós-venda e a valorização do seminovo seguram um produto que, mecanicamente, não evoluiu?
A novidade que não mexeu no motor
O grande chamariz da linha 2027 é a configuração RS, exclusiva do hatch. Posicionada acima da Touring, ela custa R$ 156.400 na fase promocional. O pacote é estético: teto, retrovisores, antena e aerofólio em preto, rodas escurecidas de 16 polegadas, ponteira de escapamento esportiva e para-choque traseiro com desenho de difusor. Por dentro, teto escurecido, pedais de alumínio e costuras vermelhas.
Sob o capô, porém, nada muda. O motor segue o 1.5 aspirado flex de 126 cv e 15,8 kgfm (etanol), acoplado ao câmbio CVT que simula sete marchas. Os números de consumo oficial variam entre 9,1 km/l (cidade/etanol) e 15,3 km/l (estrada/gasolina) no sedã.
Tela maior, mais segurança e garantia estendida
As versões Touring e RS ganharam central multimídia de 10 polegadas com toque multiponto e espelhamento sem fio. A interface adota visual sóbrio, fugindo das telas coloridas e animadas da concorrência. No pacote de segurança, seis airbags viraram item de série em toda a linha, e o pacote Honda Sensing (frenagem autônoma, assistente de faixa, piloto adaptativo com parada total) passa a equipar as versões EX, EXL, RS e Touring.
Outro trunfo comercial: a garantia de fábrica subiu para seis anos sem limite de quilometragem. O sistema de conectividade myHonda Connect, que permite partida remota e climatização pelo celular, fica restrito à EXL para cima.
A conta que a Honda faz para não baixar o preço
Questionado sobre a ofensiva de marcas como Omoda&Jaecoo — que lançou o SUV híbrido Jaecoo 5 com 224 cv e 15,5 km/l por R$ 154.990, menos que o City RS —, o gerente de marketing Ariel Mógor foi direto: não há planos para guerra de preços. A aposta da marca repousa em três pilares:
- Índices elevados de satisfação no pós-venda;
- Rede de concessionários focada na valorização do seminovo na troca;
- Fidelidade do cliente que já possui um Honda.
Entre janeiro e agosto de 2026, a família City emplacou 18.909 unidades. Curiosamente, as vendas aceleraram nos meses recentes, justamente na expectativa da nova linha, atingindo os melhores volumes do ano.
O que muda no bolso do comprador agora
A pré-venda começa neste sábado (5) com documentação grátis para financiamentos pelo banco da marca. A tabela promocional congela os preços de 2026, mas o reajuste já tem data para acontecer assim que o lote de 3 mil unidades acabar:
- LX (entrada): R$ 117.500 → sobe R$ 200;
- EX, EXL, Touring e RS: aumentam R$ 1.100 cada.
Na prática, o City Touring sedã salta de R$ 153.200 para R$ 154.300, enquanto o hatch RS — único acima de R$ 155 mil — passa a custar R$ 157.500.
O que observar daqui para frente
O mercado de seminovos será o termômetro real dessa estratégia. Se a valorização na troca se mantiver alta, o custo total de propriedade pode justificar o preço de etiqueta mais salgado frente a híbridos chineses mais potentes e eficientes. Por outro lado, a manutenção do motor 1.5 aspirado em um segmento que migra rápido para eletrificação leve ou plena coloca o City em zona de risco médio prazo. A Honda aposta que o cliente brasileiro ainda prefere previsibilidade a fichas técnicas de papel — os próximos balanços de emplacamento dirão se a aposta está certa.
