O mercado brasileiro enfrenta nesta sexta-feira (2) seu último pregão antes do primeiro turno, com duas forças poderosas puxando a corda em sentidos opostos. De um lado, o payroll americano às 9h30 pode ditar o ritmo global de juros e dólar. Do outro, a eleição de domingo já precifica prêmios de risco que só serão testados na reabertura de segunda. Quem carregar posições alavancadas até o fechamento hoje assume um risco assimétrico: o gap de abertura pode chegar a 5% para qualquer lado.
O Ibovespa fechou quinta-feira (1º) aos 187.197 pontos, alta de 0,46%, mas passou o dia oscilando entre 184.767 e a máxima — um “cabo de guerra” clássico entre petróleo favorável à Petrobras e juros longos pressionados pelo exterior.
O payroll abre os trabalhos: 89 mil vagas é o número da vez
O relatório de emprego dos EUA chega com expectativa de 89 mil postos criados em setembro, queda brusca frente aos 162 mil de agosto. A taxa de desemprego deve ficar estável em 4,1%. Qualquer desvio relevante mexe nos Treasuries, no dólar e no apetite por risco global.
Para Nicolas Gass, da GT Capital, um payroll forte reacende a pressão por juros altos nos EUA: “Juros americanos e dólar sobem, Bolsa local sente o baque”. Mas Rafael Perretti, da Clear, alerta: o mercado brasileiro vem se descorrelacionando do externo. O “trade eleitoral” ganhou peso próprio.
- Expectativa payroll: 89 mil vagas (vs 162 mil em agosto)
- Desemprego EUA: 4,1% (estável)
- Horário: 9h30 (Brasília)
Eleição assume o volante conforme o dia avança
Pesquisas de véspera, cancelamento do debate e a composição do novo Congresso passam a dividir a atenção dos operadores. O Goldman Sachs já mapeou cenários onde juros, dólar e ações não reagem com a mesma intensidade — daí a importância de monitorar os três termômetros juntos.
Na quinta, o dólar subiu 0,97% a R$ 5,2239. Na curva de juros, o DI jan/28 fechou em 13,565% (estável), enquanto o jan/35 saltou 13 pontos-base a 14,11%. Mário Machado, da InvestSmart, resume: a ponta curta ancorada, a longa carregando o prêmio de incerteza.
Gráfico: Ibovespa preso na faixa de 7 mil pontos
Setembro trouxe alta de cerca de 5%, mas o índice consolidou entre 180 mil e 189 mil pontos. Tentativas de romper o piso não seguraram; a reação compradora devolveu o índice para dentro do retângulo. Perretti é direto: “Precisamos aguardar o payroll e o primeiro turno para saber se rompe o topo ou permanece na faixa”.
O petróleo adiciona complexidade: Brent a US$ 102,31 (+4,37%) pressiona inflação global, mas sustenta Petrobras — peso pesado no índice.
O risco não acaba no fechamento: prepare-se para o gap de segunda
André Moraes faz o alerta mais prático da semana: teste sua alavancagem simulando um movimento de 5% contra sua posição na abertura de segunda. Não é previsão; é teste de estresse. “Se não está preparado, o tamanho da posição está errado.”
Gass reforça: a volatilidade na reabertura incorporará não só o resultado presidencial, mas a configuração do Congresso. Dois momentos, uma decisão: quanto risco você carrega até a B3 reabrir?
O que observar daqui pra frente
Segunda-feira dirá se o payroll foi ruído ou tendência, e se o trade eleitoral se confirma ou desmonta. Até lá, três referências mandam no jogo: 189 mil pontos (topo da consolidação), 180 mil (piso) e o tamanho da sua exposição ao gap. Ajuste hoje. O mercado não espera.
