Economia

Recorde histórico: Embraer entrega 66 jatos no 3º tri e revela segredo militar

Jato Embraer em linha de montagem representando recorde de 66 entregas no 3º trimestre
Embraer bate recorde histórico com 66 jatos entregues no 3º trimestre, impulsionada pela retomada militar.

A Embraer acaba de cravar 66 aeronaves entregues no terceiro trimestre, superando o próprio recorde de 65 unidades estabelecido apenas três meses antes. O número surpreende, mas o verdadeiro motor por trás da marca esconde uma reviravolta estratégica que poucos esperavam.

A volta das entregas militares, estagnadas no trimestre anterior, foi o divisor de águas. Entender esse movimento é essencial para quem acompanha a carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões.

O motor militar que mudou o jogo

No segundo trimestre, a divisão de Defesa e Segurança registrou zero entregas. Entre julho e setembro, o cenário inverteu: três aeronaves militares deixaram a linha de produção. Duas foram caças A-29 Super Tucano destinados à Força Aérea do Paraguai — unidades que carregavam atrasos de contratos anteriores —, e uma foi o cargueiro KC-390 Millennium para o Uzbequistão.

Esse desbloqueio logístico explica grande parte do salto de 65 para 66 unidades no consolidado. Sem esse trio, a fabricante teria ficado aquém da marca anterior, sinalizando que a cadeia de suprimentos militar ainda dita o ritmo da alta performance.

Aviação comercial e executiva: o raio-x dos números

O segmento comercial manteve a trajetória de recuperação gradual. Foram 22 jatos entregues, dois a mais que no trimestre passado e também superior ao mesmo período de 2023. Já a aviação executiva, carro-chefe em volume, mostrou oscilação natural:

  • 41 aeronaves executivas contra 45 no 2º trimestre (queda de 8,9%).
  • Estabilidade na comparação anual (mesmo patamar do 3º tri de 2023).
  • Participação de 62% no total de entregas do período.

A leve retração sequencial no segmento executivo não acendeu alertas internos; a empresa trata o movimento como sazonalidade normal de mix de pedidos e logística de interiores.

Margens e carteira: por que o mercado deve prestar atenção

O pano de fundo financeiro reforça a solidez operacional. No balanço do segundo trimestre, divulgado em agosto, o lucro líquido saltou 25% na base anual. A carteira de pedidos firmes atingiu US$ 34,5 bilhões — o maior patamar da história recente —, blindando a receita futura contra oscilações de curto prazo.

A confiança da gestão transparece na revisão da margem Ebit ajustada. A projeção subiu para a faixa de 10% a 10,6%, bem acima da estimativa anterior (8,7% a 9,3%). O movimento sugere ganhos de eficiência industrial e precificação favorável nos contratos atuais, especialmente nos programas de defesa.

O que observar daqui para frente: projeções e balanço

A fabricante manteve inalteradas as metas anuais de entregas: 80 a 85 jatos comerciais e 160 a 170 executivos. O ponto médio combinado projeta crescimento anualizado de 6%, ritmo consistente para quem busca previsibilidade de caixa.

O próximo marco chega em 10 de novembro, com a divulgação do resultado financeiro completo do terceiro trimestre. Investidores devem focar três variáveis: conversão da carteira em receita reconhecida, evolução do capital de giro com a aceleração das entregas do KC-390 e eventuais revisões de guidance para 2025.

Enquanto o mercado digere o recorde de volume, a leitura fina aponta para uma Embraer mais madura na gestão de mix de produtos — onde cada caça militar entregue vale, em margem, por vários jatos executivos. A equação de valor mudou; acompanhar a execução do backlog de defesa será o termômetro real dos próximos trimestres.