O governador eleito Luciano Zucco (PL) articula uma reforma administrativa que deve cortar o primeiro escalão gaúcho de 30 para até 20 pastas, com votação prevista ainda em dezembro. A movimentação ocorre antes mesmo da posse, marcada para janeiro, e sinaliza a primeira grande mudança estrutural do novo governo.
O pacote prevê fusões estratégicas e a criação de uma secretaria que a gestão anterior tentou emplacar sem sucesso. Mas o calendário apertado levanta dúvidas sobre a capacidade de articulação no Legislativo.
O desenho do novo primeiro escalão
A equipe de transição já consolidou quatro fusões principais que redesenham a máquina estadual:
- Agricultura + Desenvolvimento Rural — unificação do agro e da política fundiária
- Segurança Pública + Sistemas Penal e Socioeducativo — integração da gestão prisional e socioeducativa
- Obras + Infraestrutura + Logística — concentração de grandes projetos e mobilidade
- Desenvolvimento Econômico + Inovação — alinhamento entre atração de investimentos e tecnologia
Além das fusões, está confirmada a criação da Secretaria da Defesa Civil. O governo Eduardo Leite (PSD) enviou projeto semelhante ao Legislativo, mas o texto não chegou a ser votado. A nova pasta já tem titular definido, segundo fontes da transição.
Meio Ambiente e Reconstrução: os nós ainda não desatados
Nem tudo está fechado. A área ambiental, hoje vinculada à Infraestrutura, deve ganhar pasta própria — promessa de campanha que exige rearranjo orçamentário. Já a Secretaria da Reconstrução, criada após as enchentes de 2024, vive indefinição: pode ser mantida, absorvida pela Defesa Civil ou incorporada à futura secretaria de Obras.
Outro ponto sensível é a Secretaria da Mulher, criada em 2023. A tendência, segundo o futuro chefe da Casa Civil, Leandro Sonne, é que ela incorpore outras áreas transversais, provavelmente dentro da Secretaria de Desenvolvimento Social.
“Deve existir uma pasta voltada para essa política, mas com outras ações junto. A matéria é transversal, envolve educação, segurança. A secretaria mostrou que, só ela, não trouxe resultados.”
O argumento da “leveza” e o risco do atropelo
O deputado Guilherme Pasin (PP), designado líder do governo de transição na Assembleia, defende que a redução não significa menos políticas públicas. “O objetivo é dar leveza e agilidade na tomada de decisões e economicidade. Não se fala em suprimir atividades”, afirma.
Pasin atua na articulação parlamentar há cerca de duas semanas. O projeto deve chegar ao Legislativo até o final de novembro para votação antes do recesso, que começa em 23 de dezembro. O prazo curto exige consenso rápido entre bancadas que, até outubro, estavam em lados opostos.
O que observar nas próximas semanas
Três variáveis definirão o sucesso da empreitada: a velocidade de tramitação na Assembleia, a reação dos servidores das pastas fundidas e a capacidade do novo governo de manter a entrega de serviços durante a transição. A votação antes do recesso será o primeiro teste real de força política de Zucco no Parlamento gaúcho.
Se aprovado, o novo organograma entra em vigor no dia 1º de janeiro. Caso contrário, o governador assumirá com a estrutura herdada — e a reforma ficará para 2025, sob novo calendário e novas negociações.
