O Nubank restaurou depósitos e saques de criptomoedas às 22h de sexta-feira (6), após uma paralisação de poucas horas causada por instabilidade em um fornecedor externo de dados. O banco garante que ativos e dados dos clientes não foram comprometidos.
O episódio, porém, não foi isolado. Quase no mesmo horário, o Mercado Pago também travou transferências de criptoativos, citando problemas em um sistema de monitoramento de risco e prevenção à lavagem de dinheiro. A coincidência levanta dúvidas sobre a resiliência da infraestrutura compartilhada do setor.
O que provocou a parada no Nubank
A falha ocorreu na camada de dados que alimenta as operações de custódia. A Fireblocks, provedora de tecnologia citada no suporte do Nubank, negou que o problema tenha origem em sua plataforma. O nome do fornecedor instável não foi divulgado.
Em nota, o banco reforçou que a interrupção não afetou sua infraestrutura proprietária. “Os ativos e as informações dos clientes permaneceram protegidos”, afirmou a instituição.
Mercado Pago: bloqueio preventivo e silêncio sobre retomada
Do lado do Mercado Pago, a narrativa é diferente. A empresa identificou instabilidade nas transferências provocada por um incidente em um fornecedor de serviços de monitoramento de riscos e compliance (AML).
Como medida de proteção, parte das transferências para carteiras externas foi bloqueada preventivamente. A promessa era normalizar “o quanto antes”, mas até o fechamento desta reportagem não houve confirmação de que os serviços já estavam 100% restabelecidos.
Dois bancos, um mesmo elo fraco?
Embora as causas técnicas declaradas sejam distintas — dados de mercado de um lado, compliance do outro —, a sincronia dos episódios expõe um padrão: a dependência de poucos provedores especializados.
- Custódia e dados: Fireblocks e concorrentes concentram a camada de segurança institucional.
- Compliance em tempo real: motores de AML/KYC tornaram-se gargalo único para liberar saques.
- Ausência de redundância: falha em um fornecedor derruba a operação de ponta a ponta.
Essa arquitetura centralizada contradiz o discurso de descentralização que cerca o mercado de criptoativos.
Impacto direto para quem opera
Para o usuário final, a consequência imediata foi a impossibilidade de mover ativos entre exchanges e carteiras próprias durante janelas de alta volatilidade. Quem precisou recompor garantias em protocolos DeFi ou aproveitar arbitragem ficou travado.
No caso do Mercado Pago, o bloqueio preventivo de saques para carteiras externas adiciona uma camada de incerteza: não há prazo público para liberação dos fundos retidos.
O que observar daqui para frente
Três sinais merecem atenção nas próximas semanas:
- Divulgação dos nomes dos fornecedores envolvidos — transparência permite avaliar risco sistêmico.
- Comunicados de outras instituições (exchanges, fintechs) admitindo ou negando impactos semelhantes.
- Movimento dos bancos digitais para contratar provedores redundantes ou internalizar camadas críticas.
Enquanto a infraestrutura de custódia e compliance seguir concentrada em poucos players, episódios como o de sexta-feira tendem a se repetir. A lição prática: mantenha parte dos ativos em carteiras onde você controla as chaves e tenha plano B para liquidez imediata.
