O Ibovespa fechou a semana com alta de 0,30%, aos 168.498 pontos, mas o alívio dura pouco. O dólar subiu 1,18% no período, a R$ 5,50, e o Copom manteve a Selic em 13,75% — pausa que o mercado já esperava, mas que não resolve o nó fiscal.
O verdadeiro teste começa domingo. O presidente Lula promete anúncio de ajuste fiscal, e a reação dos ativos na segunda-feira dirá se o pacote convence ou se a festa acabou antes de começar.
O que moveu o mercado nos últimos cinco dias
A decisão do Copom foi o gatilho imediato. Juros parados dão fôlego para posições compradas, mas o comunicado não trouxe sinalização de novos cortes. O foco migrou rápido para Brasília: as discussões sobre o arcabouço e a meta de déficit zero voltaram a pesar no humor.
Lá fora, o cenário virou de cabeça para baixo. A vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA dividiu o Congresso e acendeu alerta no setor de tecnologia. Parlamentares já falam em nova onda de regulação para IA e data centers a partir de janeiro.
Wall Street comemorou na quarta, caiu na quinta e fechou a semana instável. O Ibovespa surfou a volatilidade externa, sustentado por bancos, Vale e varejo — setores cíclicos que funcionam como termômetro de apetite a risco.
O número que mudou a leitura do Fed
O payroll de sexta-feira foi o divisor de águas. A economia americana criou 165 mil vagas em setembro, bem acima das 60 mil projetadas. A taxa de desemprego caiu a 4,1%.
Para Vinicius Flores, da Stratton Capital, a qualidade dos dados impressiona. Luca Girardi, da Nomad, vai direto ao ponto: o mercado de trabalho resiliente elevou para 78% a chance de alta de juros pelo Fed em dezembro, levando a taxa para a faixa de 4,00% a 4,25%.
- Vagas criadas: 165 mil (expectativa: 60 mil)
- Desemprego: 4,1% (ante 4,2% anterior)
- Probabilidade de alta do Fed em dez: 78% (FedWatch/CME)
Juros mais altos nos EUA por mais tempo pressionam o real e alongam o ciclo de Selic alta no Brasil. O câmbio reflete isso na veia.
C&A brilha, Brava afunda: o raio-x da semana
O balanço do terceiro trimestre da C&A (CEAB3) surpreendeu. Margens melhores, endividamento baixo e múltiplos descontados fizeram a ação disparar 23,82% no período, a R$ 8,11. Para analistas, a varejista mostrou fôlego para atravessar turbulências.
Do lado oposto, Brava Energia (BRAV3) liderou as perdas com queda de 15,64%, a R$ 15,54. O setor de óleo e gás sofreu com a combinação de petróleo pressionado e ruídos regulatórios.
Confira os extremos do Ibovespa entre 2 e 6 de novembro:
- Maiores altas: CEAB3 +23,82% | CSAN3 +18,88% | SMFT3 +17,59% | CSNA3 +13,66% | CYRE3 +12,93%
- Maiores baixas: BRAV3 -15,64% | TEND3 -15,44% | PRIO3 -15,40% | PETR3 -14,66% | PETR4 -13,94%
O que observar daqui para frente
A semana que começa tem três gatilhos decisivos. O anúncio fiscal de domingo define o tom para a abertura de segunda. O IPCA de outubro sai na terça e calibra as apostas para o próximo Copom. E nos EUA, o CPI de quinta-feira pode confirmar ou derrubar a tese de alta de juros em dezembro.
Enquanto o fiscal não clarear, a volatilidade segue como regra. Posicionamento defensivo em bancos e exportadoras tem funcionado, mas o vencimento de opções sobre índice na próxima quarta-feira pode amplificar movimentos bruscos. Quem tem estômago para o curto prazo encontra oportunidades; quem precisa de previsibilidade, melhor ficar na renda fixa indexada à Selic.
