O Mônaco não vence há dois meses no Campeonato Francês e o técnico Filipe Luís enfrenta sua primeira grande prova de fogo na Europa. Se não bater o Le Mans fora de casa, o jejum completa 60 dias exatos — um abismo para quem liderava a Ligue 1 nas rodadas iniciais.
A última vez que o time do Principado somou três pontos foi em 18 de setembro, contra o Lens. De lá para cá: dois empates e duas derrotas. Apenas dois pontos em 12 disputados. O resultado? Queda da liderança para o sétimo lugar, cinco pontos atrás do Paris Saint-Germain.
O tamanho do tombo em números
A comparação com as últimas temporadas expõe a gravidade do momento. Nas primeiras nove rodadas, o Mônaco acumula 15 pontos. No mesmo recorte do ano passado, eram 17. Em 2022/23, 18. Em 2021/22, 19. A curva aponta para baixo há quatro anos consecutivos.
- 18/09: vitória vs Lens (2×1) — últimos 3 pontos
- Rodadas seguintes: empates com Lille e Toulouse
- Derrotas: Paris FC e Lorient
- Aproveitamento recente: 16,6% (2 de 12 pontos)
O clube, oito vezes campeão francês, não levanta a taça desde 2016/17 — era de Leonardo Jardim e Kylian Mbappé. Na temporada passada, ficou apenas em sétimo e ficou fora da Champions League.
“Não é motivação, é comportamento”
Após o 3 a 1 sofrido para o Paris FC, Filipe Luís foi direto ao ponto na coletiva. Descarta problema de vontade. Aponta excesso de intensidade mal dosada: “A gente vai com tudo quando não é necessário. Precisamos nos acalmar um pouco. Temos de corrigir alguns comportamentos.”
A leitura do técnico brasileiro sugere ansiedade tática. O time pressiona alto sem cobertura, deixa espaços nas costas e paga caro contra adversários que sabem explorar transições. O Lorient, por exemplo, golpeou em contra-ataques letais.
O respiro vem da “terceira divisão” europeia
Enquanto afunda no nacional, o Mônaco mantém 100% de aproveitamento na Conference League. Três jogos, três vitórias, nove pontos. Na quinta-feira, 2 a 0 no Nordsjaelland (Dinamarca). Divide a liderança perfeita com Lugano (Suíça), Panathinaikos (Grécia) e Twente (Holanda).
Criada em 2021, a Conference League reúne clubes que ficaram fora das vagas diretas de Champions e Europa League. O último campeão foi o Crystal Palace, da Inglaterra. Para o Mônaco, é a única rota realista de título internacional nesta temporada — e a chance de garantir calendário europeu em 2025/26.
O que separa o fracasso da recuperação
O calendário não perdoa. Depois do Le Mans, o Mônaco recebe o Brest e visita o Nice — dois concorrentes diretos por vagas europeias. Se o jejum persistir, a pressão da diretoria e da torcida deve escalar para níveis insustentáveis.
Filipe Luís tem crédito pelo início arrasador. Mas na Europa, paciência se mede em resultados semanais. O próximo jogo não é apenas mais uma rodada: é a fronteira entre crise passageira e projeto em xeque.
O que observar nas próximas semanas: ajustes na pressão alta, solidez defensiva nas transições e se o elenco assimila a “calma” pedida pelo treinador. A Conference League alivia a conta, mas não paga as contas do dia a dia na Ligue 1.
