O Monaco completa dois meses sem vencer na Ligue 1 e Filipe Luís enfrenta seu primeiro teste de fogo na Europa. Uma derrota para o Le Mans, amanhã, sacramenta a pior largada do clube em quatro anos. A pressão por uma virada imediata nunca foi tão alta.
O cenário contrasta brutalmente com o início de temporada. Em setembro, o time liderava o campeonato e havia batido o PSG. Hoje, amarga a sétima colocação, cinco pontos atrás do rival parisiense. A margem de erro zerou.
Os números que explicam a queda livre
Desde a vitória sobre o Lens em 18 de setembro, o aproveitamento despencou. Foram apenas dois pontos conquistados dos últimos 12 disputados. O retrospecto recente resume o drama: dois empates e duas derrotas, incluindo um revés para o Paris FC, adversário de divisão inferior.
- Última vitória: 18/09 vs Lens (2 a 1)
- Pontos nos últimos 4 jogos: 2 de 12 (16,6%)
- Posição atual: 7º lugar (15 pontos)
- Diferença para o líder PSG: 5 pontos
Para efeito de comparação, na mesma etapa da temporada passada o Monaco somava 17 pontos. A regressão é estatística e expõe a fragilidade do modelo atual.
Diagnóstico do vestiário: intensidade mal calibrada
Após a goleada sofrida para o Paris FC, o técnico evitou culpar a motivação. “A atitude foi positiva, achei até que exageramos às vezes, principalmente na pressão”, admitiu Filipe Luís. A leitura interna aponta para um excesso de intensidade tática nos momentos errados, desgastando o elenco e abrindo espaços para contra-ataques letais.
A correção de rota passa por “acalmar” o jogo. Em termos de gestão, significa migrar de um sistema de alto risco para um controle de posse mais pragmático, priorizando a solidez defensiva que faltou nas últimas rodadas.
O refúgio europeu e a “terceira divisão” da Champions
Mas nem tudo é terra arrasada. Na Conference League, o Monaco mantém 100% de aproveitamento: três vitórias em três jogos, nove pontos e liderança do grupo ao lado de Lugano, Panathinaikos e Twente. O triunfo por 2 a 0 sobre o Nordsjaelland serviu de oxigênio financeiro e moral.
Para a diretoria, a competição funciona como hedge: garante receitas de bilheteria, direitos de TV e ranking UEFA, minimizando o prejuízo de uma campanha doméstica abaixo das expectativas. É o “porto seguro” enquanto a casa principal pega fogo.
O que observar daqui para frente
O duelo contra o Le Mans, pela Copa da França, deixa de ser “apenas mais um jogo” e vira final de campeonato para o projeto de Filipe Luís. Uma eliminação precoce amplificaria a crise e colocaria em xeque a permanência do brasileiro no cargo antes da janela de janeiro.
Os próximos passos ditam o futuro: ajuste tático imediato contra times de bloco baixo, gestão física do elenco nas festas de fim de ano e possíveis reforços pontuais no mercado de inverno. O Monaco de 2016/17, de Jardim e Mbappé, parece cada vez mais distante. A realidade atual exige gestão de crise, não sonhos de glória.
