A fabricante italiana Azimut Yachts acaba de fechar uma parceria estratégica com a incorporadora argentina Azcuy para assumir a representação oficial da marca no país vizinho, com um aporte inicial de US$ 3,8 milhões. A operação nasce da fábrica de Santa Catarina, que mira R$ 1 bilhão em valor de produção nos próximos dois anos. Mas por que apostar em um mercado onde apenas 3% da frota é importada?
A resposta está na combinação de uma frota envelhecida com uma janela tributária favorável. O plano comercial já tem data para estrear: início de dezembro, no empreendimento So Riverie, em Nordelta.
O tabuleiro argentino: números que chamam a atenção
O mercado náutico local dá sinais claros de aquecimento. Segundo o Indec, com base na Prefectura Naval, os registros de novos iates subiram 14,7% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025 — saltando de 75 para 86 unidades.
O cenário fica mais interessante ao observar a frota total:
- 140 mil embarcações ativas (dados Cacel);
- 97% de produção nacional;
- Demanda latente por renovação em modelos de 50 a 75 pés.
A Azimut enxerga nessa lacuna a entrada para seus iates fabricados no Brasil, aproveitando a redução de barreiras comerciais recentes.
Imóvel + iate: o modelo “chave na mão” que virou vitrine
A estreia não será em um estande de boat show, mas dentro de um lançamento imobiliário de alto padrão. O So Riverie, da Azcuy, tem VGV estimado em US$ 88,2 milhões e reúne 84 residências com marina privativa de 24 vagas.
A inovação está no pacote integrado:
- Unidade de 340 m²: US$ 2,34 milhões;
- Mobiliário e decoração: US$ 680 mil;
- Azimut Fly 62: US$ 2,95 milhões;
- Total: US$ 5,97 milhões.
O metro quadrado no empreendimento já saltou de US$ 3.000 (lançamento em nov/2024) para a faixa de US$ 4.500 a US$ 4.800. Metade do estoque foi absorvida e a projeção na entrega supera US$ 6.000/m².
Por que a fábrica catarinense é a peça-chave
A unidade brasileira da Azimut em Itajaí (SC) é o motor logístico e financeiro da jogada. Hoje, apenas 10% da produção segue para exportação; a meta é elevar esse índice para 15% no curto prazo.
Produzir no Brasil e vender na Argentina encurta prazos, reduz custos de frete e permite flexibilidade cambial — vantagens que concorrentes europeus ou americanos não conseguem replicar com a mesma agilidade.
O que observar daqui para frente
O sucesso do modelo “residência + marina + iate” em Nordelta pode ditar o ritmo de expansão para outros polos náuticos argentinos, como San Isidro e Rosário. Dois indicadores merecem monitoramento nas próximas trimestrais: a taxa de conversão dos 24 slips da marina em vendas efetivas de embarcações e a evolução das alíquotas de importação para embarcações de grande porte. Se a regra tributária se mantiver estável, a meta de 15% de exportação da fábrica catarinense deixa de ser projeção e vira projeção conservadora.
