A Haas tomou uma decisão radical no GP da Cidade do México: Esteban Ocon foi substituído por Ryo Hirakawa após o segundo treino livre, e o chefe Ayao Komatsu admite um “momento dramático” nos bastidores. A presença do francês nas quatro etapas finais da temporada é considerada improvável, mas a equipe ainda não oficializou a rescisão do contrato.
O episódio expõe a fragilidade da relação entre piloto e comando técnico em um momento decisivo do campeonato. Para investidores e parceiros comerciais, a instabilidade interna pode afetar entregas de performance e ativações de marca nas corridas restantes.
O que desencadeou a ruptura no México
Segundo relatos do paddock, a discórdia começou na reunião de engenheiros de sexta-feira (30). A equipe alterou a estratégia combinada para avaliação de pneus de corrida, o que irritou Ocon. O piloto deixou o carro visivelmente incomodado e, de acordo com rumores não confirmados, o desentendimento escalou para um encontro no escritório de Komatsu.
O chefe da Haas confirmou à F1TV que houve um “momento dramático” entre os dois, mas se recusou a dar detalhes. Ao Canal+, foi enfático: “Não foi uma escolha fácil. Mas eu estava convencido de que era a única decisão a ser tomada”. Gene Haas, dono do time, deu aval à medida.
Hirakawa assume com uma sessão de vantagem
Ryo Hirakawa, de 32 anos, era o piloto reserva e havia participado do TL1 — sessão dedicada a novatos. Isso lhe deu referência do carro antes de ser alçado à titularidade no TL3 e na classificação. Largará em 18º, beneficiado pela desclassificação de Liam Lawson (Red Bull) por irregularidade na unidade de potência.
Komatsu elogiou a prontidão do japonês: “Ele me disse: ‘esse é o tipo de oportunidade que você espera uma vida inteira para ter'”. Hirakawa perdeu apenas o TL2 e mostrou adaptação rápida nas condições de pista do Autódromo Hermanos Rodríguez.
Câmara, Doohan ou Hirakawa: quem fica com a vaga?
Para 2025, o assento já pertence a Rafael Câmara, campeão da F3 e da FRECA, contratado como titular. O brasileiro, no entanto, não foi procurado para assumir antecipadamente. O entorno do piloto confirmou ao UOL que não houve contato da Haas até o momento.
As opções imediatas para as etapas de São Paulo (3 a 5 de novembro), Las Vegas (21 a 23 de novembro), Catar (29 de novembro a 1º de dezembro) e Abu Dhabi (5 a 7 de dezembro) são:
- Ryo Hirakawa — reserva oficial, já no carro no México;
- Jack Doohan — piloto de testes e reserva, com experiência em TLs pela Alpine;
- Manutenção de Ocon — cenário considerado remoto após a declaração de Komatsu.
O comunicado de Ocon e a negativa de agressão
Na noite de sábado, Ocon publicou nota nas redes sociais. Confirmou a “divergência de pontos de vista” e a discussão, mas rejeitou “categoricamente quaisquer notícias ou alegações que sugiram que algum tipo de violência física tenha sido utilizado”. O francês condenou a violência em todas as formas e pediu o fim das especulações enquanto a situação é tratada internamente.
Komatsu, por sua vez, disse à imprensa francesa que “nunca vai revelar o que realmente aconteceu”. A versão de agressão física — especificamente a de que Ocon teria agarrado o colarinho do chefe — circula no paddock, mas não tem confirmação oficial de nenhuma das partes.
O que observar nas próximas semanas
A Haas precisa definir a composição do carro até o GP de São Paulo, em menos de duas semanas. A escolha impacta diretamente o desenvolvimento do VF-24 para 2025, já que Câmara fará sua estreia oficial apenas na pré-temporada. Cada quilômetro de pista com o pacote atual vale dados para o projeto do ano que vem.
Além disso, a exposição midiática do caso pode afetar negociações de patrocínio e a imagem da equipe junto à Liberty Media e à FIA. A estabilidade institucional — ou a falta dela — será observada de perto por parceiros comerciais e investidores até o encerramento do campeonato em Abu Dhabi.
