O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou categoricamente que o governo americano não participou da operação que trouxe o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao território norte-americano. A declaração foi dada no encerramento da cúpula de chanceleres do G20, reunião que terminou sem declaração conjunta e com a foto oficial cancelada.
Mas, se Washington nega envolvimento oficial, quem pagou a conta do voo particular que partiu da Argentina? Reportagens da imprensa dos EUA apontam um nome inesperado.
O que Rubio disse — e o que não disse
Durante a coletiva de imprensa deste sábado (31), Rubio foi direto: “Nós não facilitamos nada. Recebemos a informação de que ele tinha chegado nos Estados Unidos. Ele já teve um visto, e o presidente tomou a decisão de permitir sua entrada no país.”
O chefe da diplomacia americana ressaltou que Flávio já possuía visto válido e que a entrada foi autorizada dentro das regras migratórias vigentes. Segundo Rubio, nenhum agente do governo participou dos preparativos da saída do Brasil nem do deslocamento até os EUA.
O nome por trás do jato particular
Enquanto Rubio negava participação estatal, veículos como The New York Times e Politico publicaram que o assessor da Casa Branca Jason Miller — figura próxima a Donald Trump — teria fretado a aeronave que transportou Flávio, a esposa e os filhos de Buenos Aires para a Flórida.
As reportagens não confirmam se o ex-presidente Trump autorizou ou tinha conhecimento prévio da operação. Miller, por sua vez, não se pronunciou publicamente até o momento.
G20: impasse geopolítico ofusca a pauta brasileira
A cúpula de ministros das Relações Exteriores terminou em impasse. Cerca de um terço das delegações ameaçou boicotar a foto oficial pela presença do chanceler russo Sergei Lavrov, forçando o cancelamento do registro protocolar.
Sem consenso sobre a guerra na Ucrânia, o encontro não produziu comunicado conjunto — algo raro na história recente do grupo.
- Reunião bilateral: Rubio e Mauro Vieira se reuniram brevemente na sexta (30)
- Próximo encontro: Confirmado para 9 e 10 de novembro, na cúpula do G7 na França
- Contexto: Trump evita comentar resultado das eleições brasileiras de 2022
O que muda para a relação bilateral
O episódio expõe uma zona cinzenta: a entrada de Flávio foi legal, mas o traslado contou com logística articulada por um operador político do círculo de Trump. Para analistas, isso cria ruído diplomático sem configurar crime ou violação de tratado.
O Itamaraty, por ora, mantém o tom protocolar. A próxima reunião entre Rubio e Vieira, em Paris, será o primeiro teste real de como os dois governos vão gerenciar o desconforto.
O que observar nas próximas semanas
Três pontos merecem atenção de quem acompanha a relação Brasil-EUA: se Jason Miller será convocado a prestar esclarecimentos no Congresso americano; se o visto de Flávio passará por revisão administrativa; e como o governo Lula vai calibrar a resposta sem escalar a tensão às vésperas do G7. O silêncio de Trump sobre o caso, por enquanto, é a variável mais imprevisível.
