A 70ª Expoece abre as portas neste sábado (31) com projeção de R$ 30 milhões em movimentação financeira e uma estreia que pode redesenhar a pecuária nordestina: o primeiro ranqueamento oficial da raça Nelore no Ceará. O evento segue até 8 de novembro no Parque de Exposições Governador César Cals, em Fortaleza.
Para investidores e empresários do agronegócio, a feira deixa de ser apenas vitrine e passa a funcionar como termômetro de uma cadeia que ganha densidade tecnológica e escala. A organização espera 300 mil visitantes em nove dias.
O número que explica o momento
Dos 300 estandes disponíveis, 98% foram comercializados antes da abertura. Em 2023, a taxa ficou em torno de 85%. O salto sinaliza apetite renovado da iniciativa privada por exposição direta ao produtor cearense — especialmente em genética, nutrição animal e maquinário.
Braga Almeida, presidente da Associação dos Criadores do Ceará (ACC), resume: “A feira vem crescendo exponencialmente em relação à quantidade de empresas aqui instaladas. Esse ano superou nossas expectativas.”
Por que o ranqueamento Nelore muda o jogo
Até agora, criadores nordestinos precisavam deslocar animais para o Centro-Oeste para participar de julgamentos oficiais. A ranqueada em Fortaleza elimina custos logísticos e abre caminho para que a genética Nelore — base da pecuária de corte brasileira — seja selecionada e melhorada no próprio bioma caatinga.
O julgamento ocorre com técnicos de todo o Nordeste avaliando conformação racial, aprumos e funcionalidade. Os melhores exemplares recebem pontuação que valoriza o plantel e orienta cruzamentos futuros.
Estrutura de negócios: o que está à venda
- Genética e reprodução: laboratórios com tecnologia de FIV, sexagem de sêmen e marcadores genômicos
- Nutrição animal: rações, suplementos minerais e aditivos para semiconfinamento
- Máquinas e implementos: tratores, colheitadeiras, equipamentos de irrigação e manejo
- Veículos utilitários: picapes e caminhões leves adaptados ao campo
- Agricultura familiar: frutas, hortaliças, mel, queijos, iogurtes, derivados do caju e castanhas
O pavilhão da agricultura familiar, sozinho, reúne mais de 80 expositores — cifra que dobra a edição anterior.
Programação técnica e datas-chave
A exposição de animais segue calendário escalonado para manter fluxo constante de visitantes e compradores:
- 1º de novembro (15h–18h): Exposição de cães Pitbull — condicionamento físico e padrão racial
- 31 out, 2, 4 e 6 nov (16h–21h): III Mostra de Gatos — 12 raças em avaliação
- 31 out a 8 nov (8h–22h): II Mostra de Coelhos e II Mostra de Pássaros Domésticos
- 3, 5 e 6 nov (15h–21h): Feira de adoção de cães e gatos — parceria com ONGs locais
- Período integral: Museu Vivo de Répteis da Caatinga — cobras, lagartos e quelônios do bioma
Entretenimento como motor de fluxo
Shows gratuitos (incluídos no ingresso de R$ 12–15) garantem público noturno — horário em que negociantes costumam fechar negócios em estandes de alimentação e maquinário. Confira as atrações confirmadas:
- 31/10 (sábado): Susy Navarro, Danieze Santiago, A Loba
- 01/11 (domingo, véspera de feriado): Moicano Alves, Thiago Freitas, Thales Play
- 06/11 (sexta): Bota Pra Moer, Chapéu de Couro, Nildinha
- 07/11 (sábado): Joyce Tainá, Mara Pavanelly, Diego Facó
Crianças até 12 anos e idosos acima de 60 não pagam entrada. Portões abrem às 8h todos os dias.
Patrimônio cultural e impacto fiscal
Em 2024, decreto do governador Elmano de Freitas reconheceu a Expoece como Patrimônio Cultural Imaterial do Ceará. O status abre portas para editais de fomento, linhas de crédito cultural e visibilidade institucional — ativos que a ACC já articula para a edição de 2027.
Do lado fiscal, a prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado projetam arrecadação incremental de ISS e ICMS superior a R$ 2,1 milhões apenas nos nove dias de evento, sem contar o efeito induzido em hotelaria, transporte e alimentação fora do parque.
O que observar daqui para frente
A consolidação do ranqueamento Nelore em Fortaleza pode atrair, já em 2027, leilões de elite e centrais de inseminação que hoje operam apenas em Goiás e Mato Grosso. Para quem acompanha a expansão da fronteira agrícola no Matopiba, a Expoece deixa de ser feira regional e passa a funcionar como ponto de ancoragem logística e genética do Nordeste. Acompanhe a taxa de ocupação dos estandes no próximo ciclo: se mantiver acima de 95%, o sinal é de que o mercado tratou a edição de 2026 como ponto de inflexão, não como exceção.
