Um joalheiro de São José do Rio Preto transformou o rosto de um ícone do sertanejo em uma peça de 100 gramas de ouro 18 quilates cravejada com 30 diamantes negros. A joia foi entregue a César Menotti durante a gravação do DVD em tributo a Milionário e José Rico.
O que leva um artista a encomendar — e até fornecer o metal — para eternizar o rosto do ídolo em uma peça única? A resposta passa por garimpo legal, tecnologia 3D e uma história de 40 dias de oficina.
Da ideia ao aval do sertanejo em tempo recorde
Marcelo Greg, modelista 3D especializado em joias, desenvolveu o projeto por conta própria há dois meses. Ao apresentar a César Menotti, obteve aprovação imediata. O cantor não só aceitou a homenagem como colocou à disposição o próprio ouro, extraído de garimpo legalizado de sua propriedade.
O ouro 18 quilates — liga com 75% de ouro puro e 25% de metais como prata e cobre — garantiu resistência e brilho à peça final. O peso total ultrapassou 100 gramas, marco expressivo para um pingente de uso pessoal.
Tecnologia e ourivesaria tradicional lado a lado
A criação uniu computação gráfica tridimensional e acabamento artesanal. O processo:
- Modelagem 3D da face e elementos característicos de Zé Rico
- Impressão de protótipo para validação de proporções
- Fundição em ouro maciço
- Cravação manual dos 30 diamantes negros
- Polimento e acabamento final
Ao todo, 40 dias de trabalho em parceria com o ourives Eric Fernando. O vídeo de divulgação, publicado no perfil oficial da dupla na quarta-feira (28), atingiu 97 mil visualizações até a tarde de quinta (29).
Rio Preto: o polo que forma mestres da joalheria
Marcelo começou como ourives de banca aos 17 anos. A transição para modelagem 3D veio após cursos especializados, mas a base artesanal permaneceu. “Rio Preto sempre foi o maior polo joalheiro do Brasil”, resume.
O portfólio do designer já inclui peças para Zé Neto (dupla com Cristiano) e para o saudoso Cristiano Araújo. Cada projeto reforça a reputação da região como celeiro de talentos que atendem o mercado de alto padrão sertanejo.
O que observar nos próximos movimentos do setor
Joias personalizadas com identidade cultural forte deixam de ser nicho e viram ativo de marca pessoal para artistas. A combinação de matéria-prima de origem rastreável (garimpo legal), tecnologia de precisão e narrativa emocional cria um modelo replicável.
Para investidores e empreendedores do segmento, o caso sinaliza: a demanda por peças únicas, com storytelling autêntico e certificação de origem, tende a crescer. O próximo passo natural é a escalabilidade desse modelo artesanal-tecnológico sem perder a exclusividade que justifica o premium.
