Um casal foi detido em flagrante na Grande Natal enquanto tentava aplicar o conhecido “golpe do achadinho” em mulheres que acabavam de sacar dinheiro. O desdobramento mais surpreendente veio na delegacia: o homem ofereceu propina para evitar a prisão. Entenda como a abordagem funciona e por que esse esquema ainda faz vítimas.
A abordagem que mirava a vulnerabilidade
Na quinta-feira (29), policiais civis interceptaram um homem de 56 anos e uma mulher de 51 no centro de Macaíba. A dupla abordava duas vítimas — de 59 e 20 anos — logo após elas deixarem uma agência bancária. O modus operandi é clássico: os criminosos fingem encontrar objetos de valor ou quantias em dinheiro para distrair o alvo e, na confusão, subtraem pertences, cartões ou induzem a transferências.
As duas mulheres desconfiaram da investida e se recusaram a cooperar. A reação rápida evitou o prejuízo, mas a prisão revelou um detalhe que amplia a gravidade do caso.
O que a polícia encontrou com os suspeitos
Durante a revista, os agentes apreenderam:
- Dinheiro em espécie;
- Máquinas de cartão portáteis;
- Objetos utilizados para simular o “achado”;
- Um cartão bancário em nome de terceiros.
Esse cartão pertencia a uma vítima de ocorrência semelhante registrada no dia anterior (28) em Natal, o que indica atuação contínua da dupla.
Tentativa de suborno eleva a acusação
Já na delegacia, o homem ofereceu R$ 5 mil aos policiais para não ser autuado em flagrante. A oferta configurou crime de corrupção ativa, somando-se à tentativa de estelionato. A mulher também foi autuada pela participação direta na abordagem fraudulenta.
Por que o “conto do paco” ainda funciona
O golpe explora dois vetores: a distração e a confiança. Criminosos simulam uma situação de sorte ou boa-fé — “olha, achei esta carteira” — para quebrar a defesa da vítima. Idosos e pessoas sozinhas após saques são os alvos preferenciais, pois costumam portar valores e têm menos agilidade para reagir.
Dados de segurança pública mostram que a proximidade de agências bancárias concentra a maior parte dessas ocorrências. A presença de terminais de autoatendimento e a rotina de saques criam oportunidades previsíveis para os fraudadores.
Medidas práticas para não cair na armadilha
Especialistas em segurança recomendam protocolos simples, mas eficazes:
- Nunca aceite ajuda de desconhecidos dentro ou nas imediações do banco;
- Desconfie de promessas de recompensa por objetos “encontrados”;
- Idosos devem, sempre que possível, ir acompanhados a agências;
- Se for sozinho, solicite auxílio apenas a funcionários credenciados e identificados;
- Mantenha cartões e dinheiro fora de vista até chegar a local seguro.
O que observar nos próximos meses
A reincidência do cartão apreendido sugere que a dupla vinha operando em série. A polícia investiga se há mais vítimas e se o esquema conta com apoiadores logísticos. Para o setor financeiro e o comércio local, o caso reforça a necessidade de campanhas contínuas de orientação ao cliente — especialmente em períodos de maior circulação de dinheiro, como datas comemorativas e pagamentos de benefícios. Acompanhar os boletins de segurança das delegacias regionais continua sendo a melhor forma de antecipar variações desse golpe.
