Economia

Crise na lateral: Brasil some do top 20 e tem só 1 nome no top 60 mundial

Wesley da Roma único lateral brasileiro no top 60 mundial Transfermarkt
Wesley é o único lateral brasileiro entre os 60 mais valiosos do mundo segundo o Transfermarkt.

O Brasil tem apenas um lateral entre os 60 mais valiosos do planeta, segundo dados atualizados do Transfermarkt. Wesley, da Roma, aparece isolado na 21ª posição, avaliado em 40 milhões de euros. A ausência total de representantes nas 20 primeiras colocações expõe um vácuo de geração que preocupa não apenas a comissão técnica, mas o próprio mercado da bola nacional.

O levantamento unifica laterais direitos e esquerdos, reflexo da versatilidade tática exigida hoje. Ainda assim, o abismo para a elite europeia é nítido: os dois líderes, Achraf Hakimi e Nuno Mendes, ambos do PSG, valem o dobro do brasileiro — 80 milhões de euros cada.

O efeito dominó na seleção e nos cofres dos clubes

A carência imediata recai sobre Carlo Ancelotti. Para os amistosos de novembro, contra Japão e Singapura, a lista trouxe Carlos Augusto (Inter de Milão) como segundo nome mais caro, mas apenas na 62ª posição global, com 23 milhões de euros. Vanderson (Monaco) e Douglas Santos (Zenit) completam o quadro nas 84ª e 216ª colocações, respectivamente.

Essa desvalorização relativa impacta a capacidade de negociação das equipes formadoras. Sem atletas no topo da pirâmide, o futebol brasileiro perde poder de barganha nas vitrines internacionais e vê a receita com mecanismos de solidariedade e mais-valias encolher a cada janela.

A mutação tática que deixou o Brasil para trás

O top 10 mundial revela uma transformação estrutural: quatro dos dez mais valiosos são zagueiros de origem convertidos em laterais. Josko Gvardiol (3º, City), Riccardo Calafiori (6º, Arsenal), Jurrien Timber (4º, Arsenal) e Jules Koundé (10º, Barcelona) exemplificam a preferência europeia por defensores centrais com capacidade de construção e cobertura de espaços internos.

Enquanto o modelo brasileiro ainda privilegia o lateral “de ofício” — veloz, ofensivo, de beirada —, a elite global paga prêmio por inteligência posicional e jogo associativo pelo meio. A transição não foi acompanhada nas categorias de base nacionais na mesma velocidade.

Ranking: onde estão os brasileiros?

  • 21º – Wesley (Roma): 40 milhões de euros (R$ 241,3 mi)
  • 62º – Carlos Augusto (Inter): 23 milhões de euros (R$ 138,7 mi)
  • 84º – Vanderson (Monaco): fora do top 60
  • 216º – Douglas Santos (Zenit): fora do top 100

Para comparação, o top 3 mundial concentra valuations entre 75 e 80 milhões de euros. A diferença não é apenas numérica; reflete exposição em Ligas dos Campeões, solidez defensiva comprovada e participação direta em fases decisivas — atributos que a Roma de Wesley ainda busca consolidar com regularidade.

O que observar daqui para frente

O ciclo até a Copa de 2030 tende a acelerar a “europeização” do perfil exigido. Clubes brasileiros que anteciparem a formação de laterais com perfil híbrido — capazes de inverter o flanco, ocupar o meio-campo e defender em inferioridade numérica — terão ativos mais líquidos e valorizados.

Enquanto isso, a comissão técnica da seleção precisará decidir se insiste na adaptação de nomes como Wesley (que atua pela esquerda no clube, mas é opção nativa pela direita) ou se aposta na conversão de zagueiros jovens, espelhando a receita que hoje domina o ranking do Transfermarkt. A resposta ditará não apenas o desenho tático, mas o valor de mercado dos próximos ativos do futebol nacional.