O site argentino Infobae publicou que Flávio Bolsonaro teria cruzado a fronteira rumo a Puerto Iguazú e embarcado em um Gulfstream G400 com destino aos Estados Unidos. Horas depois, a Polícia Federal e o governo argentino negaram qualquer registro da passagem do senador.
Enquanto o paradeiro permanece incerto, o ministro Alexandre de Moraes determinou o cancelamento de todos os passaportes do ex-candidato e deu 24 horas para a entrega dos documentos. O cerco jurídico se fechou justamente no dia seguinte à derrota nas urnas.
O relato argentino e o rastro digital da aeronave
A reportagem do Infobae, principal portal de notícias da Argentina, aponta que o senador utilizou seu documento nacional de identidade para ingressar no país vizinho na terça-feira (27). De Puerto Iguazú, o embarque teria ocorrido em um jato executivo Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, com rota traçada para os EUA.
Dados públicos do Flightradar24 confirmam a existência da aeronave e mostram rotas recentes compatíveis com a narrativa. No entanto, o rastro digital para na fronteira: não há registro oficial de saída do Brasil nem de entrada na Argentina nos sistemas de migração.
A resposta oficial e o cerco da Polícia Federal
O governo argentino foi taxativo. A Direção Nacional de Migrações emitiu nota oficial afirmando que não há qualquer registro de ingresso de Flávio Bolsonaro no território nacional. Do lado brasileiro, a PF intensificou buscas em postos de fronteira terrestre e aeroportos, mas até o momento não localizou rastros da passagem do senador.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, classificou a informação como falsa e garantiu que o aliado permanece no Brasil. A discrepância entre a reportagem internacional e os bancos de dados oficiais cria um vácuo de informação que alimenta especulações no mercado e no meio político.
A ordem de Moraes e o prazo fatal para a entrega dos passaportes
O movimento judicial mais concreto partiu do Supremo Tribunal Federal. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes:
- Cancelou todos os passaportes emitidos em nome de Flávio Bolsonaro (comum, diplomático e eventuais outras nacionalidades);
- Proibiu a saída do território nacional;
- Intimou o senador a apresentar os documentos à Polícia Federal em até 24 horas.
A decisão surgiu menos de 48 horas após o resultado do segundo turno. Flávio Bolsonaro passará a responder a dois inquéritos no STF sem foro privilegiado a partir de fevereiro, o que eleva o risco jurídico e explica a urgência da medida cautelar.
O silêncio estratégico do círculo próximo
Paulo Figueiredo, apresentador radicado nos EUA e um dos aliados mais próximos da família, confirmou indiretamente a tensão. Em mensagem disparada a jornalistas, relatou que seu celular foi “bombardeado” por questionamentos sobre o paradeiro do senador e recusou-se a comentar o caso.
“Não estou afim de falar com a imprensa. Peço a gentileza de que não insistam”, escreveu. A postura de silêncio, somada à negativa oficial de Marinho, contrasta com a riqueza de detalhes da publicação argentina — que incluiu número de matrícula da aeronave e ponto de fronteira específico.
O que observar daqui para frente
O desenlace deste episódio depende de três variáveis imediatas: a apresentação (ou não) dos passaportes no prazo estipulado pelo STF, a eventual localização do senador pela PF e a repercussão da nota do governo argentino junto ao Itamaraty. Para investidores e analistas de risco político, o caso funciona como termômetro da estabilidade institucional nos primeiros dias do governo Lula. A confirmação de uma fuga configuraria crime de responsabilidade e obstrução de justiça, com impacto direto na governabilidade e na percepção de risco Brasil. Se a versão da fuga for desmentida pelos fatos, resta saber qual foi a origem da informação vazada ao Infobae e qual o objetivo estratégico por trás dela.
