O MG IM6 acaba de desembarcar no Brasil com a missão declarada de roubar mercado da BYD e da Zeekr no disputado segmento de SUVs elétricos de luxo. São duas versões com preços entre R$ 368.990 e R$ 439.990, mas a diferença real entre elas não está apenas na potência: a arquitetura elétrica muda completamente o carro.
O modelo foi testado em um trajeto entre São Paulo e Campos do Jordão, cenário ideal para expor virtudes e limites de um utilitário de quase cinco metros. O que surpreende de imediato não é a aceleração, mas o acerto de suspensão.
O “tapete voador” que faz curva de hatch
O conjunto filtrado remendos e ondulações com uma competência rara na categoria. A versão topo de linha traz amortecimento ativo com molas pneumáticas, enquanto a de entrada usa controle ativo convencional; ambas entregam conforto de sedã de luxo.
O trunfo dinâmico, porém, é o eixo traseiro esterçante. Em manobras de garagem ou ruas estreitas, as rodas traseiras giram em sentido oposto às dianteiras, reduzindo o raio de giro. A sensação ao volante é a de conduzir um carro médio, não um SUV de 4,9 metros.
Duas propostas, dois mundos distintos
A MG não fez apenas uma variação de potência; trocou a plataforma. Veja o abismo técnico que separa as configurações:
- Versão Entrada (R$ 368.990): Arquitetura 400V, bateria 75 kWh, tração traseira, 295 cv, 0 a 100 km/h em 6,4 s, autonomia Inmetro de 348 km.
- Versão Topo (R$ 439.990): Arquitetura 800V, bateria 100 kWh, tração integral, 752 cv e 81,8 kgfm, 0 a 100 km/h em 3,5 s, autonomia Inmetro de 400 km.
Na prática, a opção de acesso atende bem ao uso urbano, mas trabalha no limite em retomadas de subida de serra. Já a versão 800V entrega desempenho de supercarro e, crucial para viagens, carrega de 10% a 80% em 18 minutos em carregadores DC compatíveis — metade do tempo da irmã menor.
Cabine de primeira classe e segurança máxima
O conceito “First Class Cockpit” aproveita os 2,95 metros de entre-eixos. Vidros acústicos de dupla camada isolam a cabine, dominada por duas telas horizontais que somam 36,8 polegadas. O pacote inclui teto panorâmico curvo, portas sem moldura, carregamento por indução e sete airbags.
O pacote ADAS é o mais completo da marca no país, com prevenção ativa de colisão. A credencial de segurança vem chancela europeia: cinco estrelas no Euro NCAP.
Onde o projeto mostra as costuras
Nem tudo é perfeito. O teto de vidro, apesar do tratamento térmico, deixa a cabine aquecer em dias de sol forte, exigindo mais do ar-condicionado. Na versão de entrada, a falta de reserva de potência em situações extremas pode frustrar quem espera “sobra” típica de elétricos premium.
Do lado de fora, um detalhe curioso: o IM6 mantém faróis de neblina dedicados, item que tem desaparecido nos concorrentes modernos. As rodas são de 20 ou 21 polegadas, conforme a versão, e as cores se limitam a bege, branco, preto e cinza-grafite.
Capacidade de carga e rivais diretos
O porta-malas leva 665 litros, mais 32 litros no compartimento dianteiro (frunk), números competitivos para viagens em família. Os alvos declarados são o Zeekr 7X e o BYD Sealion 7, que apostam na mesma receita: tecnologia embarcada, performance brutal e preço abaixo das alemãs tradicionais.
O que observar daqui para frente
A chegada da arquitetura 800V por menos de R$ 440 mil pressiona o mercado a acelerar a infraestrutura de recarga ultrarrápida no país — hoje ainda rara fora dos grandes eixos. Para o comprador, a dúvida prática reside na rede de assistência da MG, que cresce, mas ainda não tem a capilaridade das rivais consolidadas. O valor de revenda dessa primeira leva de IM6 será o termômetro real da aceitação da marca no topo de linha.
