Economia

Surto de Newcastle em SC: o que o mercado precisa saber agora

Plantel de perus em granja comercial catarinense com medidas de biosseguridade durante surto de Newcastle
Granja em Nova Itaberaba (SC) interditada após confirmação de doença de Newcastle em plantel comercial de perus

O despovoamento sanitário de um plantel comercial de perus em Nova Itaberaba (SC) foi concluído nesta semana, mas a emergência zoossanitária de 60 dias declarada em quatro municípios catarinenses mantém o setor em alerta. A doença de Newcastle, de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal, pode fechar mercados internacionais da noite para o dia.

O Ministério da Agricultura confirmou o foco no domingo (18) e interditou o estabelecimento no mesmo dia. A resposta envolve Cidasc, prefeitura, Polícia Civil e o Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária — estrutura que sinaliza a gravidade do evento para a cadeia produtiva.

Impacto direto na avicultura de corte e no fluxo de exportações

Santa Catarina é o segundo maior produtor e o maior exportador de carne de frango do Brasil. Embora o foco tenha ocorrido em perus de corte, a presença do vírus APMV-1 em ave comercial aciona protocolos que restringem o trânsito de aves, ovos, subprodutos e até materiais de embalagem na zona de restrição.

Países importadores monitoram cada notificação à OMSA. Em 2022, um único foco em aviária de alta patogenicidade no Rio Grande do Sul suspendeu temporariamente habilitações de plantas para a China e a União Europeia. O mesmo risco existe agora.

O que a zona de restrição abrange na prática

A portaria de emergência cobre Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Na prática:

  • Bloqueio de movimentação de aves vivas, ovos férteis, cama de aviário e equipamentos usados;
  • Vigilância ativa em propriedades num raio de até 10 km do foco;
  • Controle de trânsito em barreiras fixas e móveis nas divisas municipais;
  • Desinfecção obrigatória de veículos e instalações antes de qualquer deslocamento autorizado.

Essas medidas travam a logística de integração — do alojamento de pintainhos ao abate — e aumentam custos operacionais para integradoras e granjeiros da região.

Cenários para os próximos 60 dias

O prazo da emergência não é aleatório. Corresponde a dois ciclos de incubação do vírus (21 dias cada) mais margem de segurança para vigilância sorológica. Se nenhum novo foco for detectado, a zona de restrição pode ser suspensa antes do prazo final.

Mas há variáveis que o mercado deve monitorar:

  • Resultado da vigilância sorológica em propriedades vizinhas — previsto para as próximas três semanas;
  • Posicionamento dos principais compradores (China, Arábia Saudita, Japão, UE) sobre habilitações de plantas catarinenses;
  • Eventual expansão da área de restrição se novos focos surgirem em aves de fundo de quintal ou silvestres.

O que observar daqui para frente

A notificação à OMSA e a comunicação bilateral a parceiros comerciais já foram feitas — transparência que conta pontos na negociação de reabertura. Porém, a velocidade de retomada das exportações dependerá da conclusão da limpeza e desinfecção do foco, da liberação do laudo final do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo e da avaliação de risco que cada país importador fará de forma independente.

Para investidores e gestores de risco: acompanhe os boletins diários do Mapa e da Cidasc. A reabertura de mercados costuma ocorrer em ondas — primeiro países com acordos de regionalização prévios, depois os demais. Quem tem exposição a integradoras com plantas em SC deve modelar cenários de 30, 60 e 90 dias de restrição parcial.