A ordem de serviço para a primeira etapa do Parque de Empreendedorismo e Tecnologia foi assinada na quarta-feira (21) em Campo Mourão, liberando R$ 24,1 milhões para transformar o Parque de Exposições Getúlio Ferrari em um hub permanente de inovação. A obra começa ainda este ano.
O investimento vem do Fundo Paraná, via Governo do Estado, com execução da Piacentini Construtora, empresa local. Mas a pergunta que fica é: como um espaço conhecido por festas anuais vira casa de startups o ano todo sem perder a identidade?
O que muda na prática no Parque Getúlio Ferrari
A primeira etapa prevê intervenções pesadas de infraestrutura. Não é apenas pintura ou reforma cosmética — o projeto mexe na estrutura que sustenta o dia a dia do parque.
- Redes elétrica e hidráulica completamente adequadas para demandas tecnológicas
- Recapeamento de vias internas
- Novo portal de acesso
- Reforma ampla do Centro de Eventos
O objetivo declarada pela Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico é reduzir a ociosidade do espaço. Hoje, o parque ferve durante a Festa Nacional do Carneiro no Buraco e alguns eventos pontuais. Nos demais meses, fica vazio.
Empresas de tecnologia e eventos: convivência planejada
O secretário Eduardo Akira Azuma foi direto: a instalação de empresas de base tecnológica não vai expulsar os eventos tradicionais. A planta foi desenhada para permitir as duas coisas simultaneamente.
Setores prioritários já mapeados: saúde, tecnologia da informação e agronegócio. Startups e empresas consolidadas terão infraestrutura de apoio — laboratórios, salas de reunião, conexão de alta velocidade — enquanto o calendário de festas e feiras segue intacto.
A proximidade com o aeroporto municipal foi considerada estratégica. Akira garantiu que o plano respeita as zonas de proteção e operação aeroportuária, sem interferência nas rotas ou procedimentos de voo.
Retenção de talentos: o jogo de longo prazo
Campo Mourão já figura entre os dez municípios paranaenses com maior número de startups. O parque tecnológico nasce para capitalizar essa base, não para criá-la do zero.
Azuma conecta o investimento a um problema concreto: a evasão de formandos. A universidade forma profissionais qualificados que, sem oportunidades locais, migram para capitais. O parque cria empregos de maior valor agregado — justamente o perfil que retém quem se formou na região.
Durante a obra, o mercado de trabalho local também sente o impacto. Centenas de vagas diretas e indiretas na construção civil aquecem a economia antes mesmo da inauguração.
De onde vem o dinheiro e o que vem depois
Em março, o Governo do Paraná anunciou aporte de R$ 24,7 milhões via Fundo Paraná. O termo de cooperação entre Estado e prefeitura precedeu a licitação, vencida pela Piacentini com proposta de R$ 24.171.566,24.
A modelo segue a lógica de quádrupla hélice: universidades, instituições de pesquisa, empresas e poder público operando no mesmo território. Não é coworking — é ecossistema.
O que observar nos próximos meses
O cronograma físico da obra ditam o ritmo. Acompanhe: liberação de alvarás complementares, contratação de gestão operacional do parque (ainda não definida) e as primeiras chamadas públicas para ocupação dos espaços tecnológicos. A entrega da infraestrutura base é o gatilho para tudo o mais.
Se a ocupação privada acontecer no ritmo projetado, Campo Mourão testa, em escala real, se interior paranaense consegue sustentar polo tecnológico autossustentável — ou se depende eternamente de aportes estaduais. A resposta começa a ser escrita no canteiro de obras do Getúlio Ferrari.
