O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu a liderança no Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no período de 4 a 15 de outubro. A virada ocorre logo após o primeiro turno, onde o filho do ex-presidente havia saído na frente nas urnas. O movimento acende um sinal de alerta na campanha adversária e reforça a correlação histórica entre o termômetro digital e o resultado nas urnas.
Os números que explicam a inversão
O salto do petista foi expressivo: de 70,7 para 82,6 pontos em menos de duas semanas. Flávio Bolsonaro seguiu a trajetória inversa, caindo de 80 para 76,4 pontos no mesmo recorte. O índice, que varia de 0 a 100, processa 175 variáveis em plataformas como Facebook, Instagram, X, TikTok, YouTube, Google e Wikipédia, filtrando ruídos e bots para isolar o comportamento real do eleitorado.
- Presença e Fama: Visibilidade e alcance de conteúdo;
- Engajamento e Mobilização: Interações e compartilhamentos espontâneos;
- Valência e Interesse: Razão entre reações positivas/negativas e volume de buscas.
O “wake-up call” da campanha petista
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, o avanço de Lula não é acidente. A entrada dos deputados federais Ana Elisa (PT-MG) e André Janones (Rede-MG) na coordenação digital provocou uma guincha de formato: vídeos verticais, legendados, estilo selfie, e a estruturação do “Exército do Lula” no WhatsApp, com missões direcionadas para outras redes.
Fora das telas, atos na Avenida Paulista e em Copacabana, somados à aprovação do fim da escala 6×1 no Senado, funcionaram como combustível orgânico para a métrica de mobilização — a que mais cresceu no período.
Por que os apoios a Flávio não surtiram efeito
O senador recebeu endossos de peso: Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Michel Temer. Ganhou, ainda, autorização para visitar o pai, em prisão domiciliar. Ainda assim, o IPD registrou desengajamento da base bolsonarista.
Para Nunes, o eleitor deixou de seguir formadores de opinião tradicionais. Some-se a isso o clima de “já ganhou” — Flávio teve 47,03% contra 45,16% de Lula no primeiro turno. Na história, nenhum candidato que perdeu a primeira rodada virou o jogo. Parte da máquina digital, segundo o diretor, “tirou férias” achando a eleição resolvida.
O fator abstenção decide a eleição
O recorde de 33,4 milhões de abstenções no primeiro turno coloca a mobilização como variável decisiva. O IPD sinaliza que Lula está conseguindo ativar eleitores que ficaram em casa; Flávio, com base já engajada há mais tempo, estagnou.
Uma redução mínima no não comparecimento já favorece o petista em um cenário de empate técnico. As pesquisas de intenção de voto confirmam a paralisia: Quaest aponta 46% a 44%; Datafolha, nos votos válidos, 51% a 49%. Ambas dentro da margem de erro de dois pontos.
O que observar daqui para a frente
As próximas duas semanas serão definidas pelas métricas de engajamento e mobilização, não mais por fama ou presença. Quem conseguir converter ruído digital em comparecimento físico às urnas leva a vantagem. O termômetro digital sugere que a campanha do PT entendeu o recado das urnas; a do PL ainda depende de acordar sua base antes que o dia 27 de outubro chegue.
