O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (13) a criação de uma versão do programa Pé de Meia voltada ao ensino superior. A proposta prevê repasses mensais de R$ 700 durante dez meses por ano, mais um bônus anual de R$ 2,5 mil ao final de cada ciclo letivo.
Em um curso padrão de quatro anos, o estudante acumulari R$ 10 mil ao se formar — valor que, segundo o petista, serviria para “iniciação profissional”. O anúncio foi feito em vídeo no estilo selfie, publicado nas redes sociais do candidato, com jovens ao fundo.
Como funcionariam os pagamentos na prática
A mecânica espelha a versão original, lançada em 2024 para alunos do ensino médio público, mas adapta os valores à realidade universitária. O cronograma de depósitos seria o seguinte:
- Mensalidade: R$ 700 depositados durante dez meses de cada ano letivo
- Bônus anual: R$ 2,5 mil creditados ao término de cada ano de curso
- Total projetado: R$ 10 mil ao final de uma graduação de quatro anos
O programa original atende hoje estudantes matriculados no ensino médio público com foco na permanência e conclusão escolar. A extensão para o nível superior representaria uma ampliação significativa de público-alvo e custo fiscal.
Impacto direto no orçamento e no mercado de trabalho
A medida mira dois gargalos simultâneos: a evasão universitária por motivos financeiros e a dificuldade de inserção de recém-formados no mercado formal. O valor de R$ 10 mil na formatura equivaleria a cerca de 7,5 salários mínimos atuais — quantia capaz de custear cursos de qualificação, equipamentos ou capital de giro para microempreendedores iniciantes.
Do lado fiscal, a conta depende do número de beneficiários. Se considerada a base atual de 3,8 milhões de matriculados em instituições públicas federais, o custo anual passaria de R$ 30 bilhões apenas nos repasses mensais, sem contar os bônus anuais. O governo não divulgou estimativa oficial de impacto orçamentário.
Pacote para MEIs e a agenda de campanha
Antes do anúncio voltado aos estudantes, Lula participou de evento no Palácio do Planalto onde apresentou cinco medidas para microempreendedores individuais. O pacote foca em:
- Redução do endividamento da categoria
- Ampliação do acesso a linhas de crédito para investimento
- Elevação do teto de faturamento anual
- Simplificação de obrigações acessórias
- Criação de canal único de atendimento digital
A sequência dos atos — manhã no Planalto com pauta econômica, tarde gravando programa eleitoral, noite com anúncio social nas redes — revela a estratégia de intercaler gestão e campanha. O vídeo do “Pé de Meia universitário” foi gravado entre compromissos de horário eleitoral em Brasília.
Mobilização de rua e o cenário eleitoral
Paralelamente aos anúncios oficiais, manifestações de apoio à reeleição ocorreram em capitais como São Paulo, Teresina e Brasília. No Largo da Batata, em São Paulo, lideranças do PT, PSOL, PV e Rede discursaram em defesa das “conquistas sociais e liberdades democráticas”. Em Brasília, estudantes concentraram-se em frente ao Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios.
A presença de movimentos estudantis nas ruas não é casual: o público-alvo do novo benefício é o mesmo que historicamente organiza atos e pressiona por políticas de permanência no ensino superior.
O que observar nas próximas semanas
A proposta entra no debate eleitoral sem detalhes operacionais definidos: fonte de financiamento, critérios de elegibilidade (renda familiar, instituição pública ou privada), mecanismos de fiscalização e data de eventual implementação. O Tribunal Superior Eleitoral já analisa pedidos para vedar a veiculação de conteúdos que vinculem candidatos a promessas de benefícios futuros condicionados ao voto.
Para o empresariado e investidores, o sinal relevante é a disposição de expandir programas de transferência de renda condicionada para além do Bolsa Família e do Pé de Meia original. A tramitação no Congresso, se houver reeleição, dependerá de articulação com base ampla — incluindo partidos que hoje integram a oposição. O custo fiscal, a regra de ouro e o teto de gastos (ou seu substituto) ditarão o ritmo e a viabilidade da medida.
