Economia

F1 em Interlagos: 15 mil estrangeiros já garantiram vaga — e o gasto médio surpreende

Arquibancadas lotadas de Interlagos no GP de Fórmula 1 com 15 mil estrangeiros
Interlagos recebe 15 mil estrangeiros no GP de F1 com impacto econômico recorde em São Paulo

A Embratur confirmou 14.933 reservas aéreas internacionais para São Paulo na semana do Grande Prêmio de Fórmula 1, entre 4 e 11 de novembro. O número representa alta de 1,15% sobre 2024 e antecipa uma injeção direta de divisas que vai muito além da arquibancada.

Os treinos começam em 6 de novembro e a largada oficial ocorre no dia 8. Mas o movimento nos aeroportos e na hotelaria já começou a ser desenhado desde setembro, quando as compras foram computadas.

De onde vem o público — e quanto cada um gasta

A Argentina lidera em volume: 3.685 passagens emitidas, com tíquete médio de US$ 722,10. Os Estados Unidos aparecem em segundo (2.237 reservas), mas com poder de fogo muito maior — gasto médio de US$ 1.796,70 por passageiro.

Essa diferença de 148% no valor médio revela perfis de consumo distintos. O turista americano tende a ficar mais tempo, optar por hospedagem premium e consumir experiências de alto valor agregado — paddock, hospitalidade, gastronomia.

  • Argentina: 3.685 reservas | US$ 722,10 média
  • EUA: 2.237 reservas | US$ 1.796,70 média
  • México: 383 reservas | alta de 54,8% (maior crescimento)
  • Top 10 restantes (Chile, Alemanha, Reino Unido, Itália, Portugal, Espanha, Japão): 3.437 reservas somadas

O salto mexicano e a nova rota de crescimento

O México roubou a cena no quesito expansão. As 383 reservas representam avanço de 54,8% frente ao mesmo recorte do ano passado. Embora ainda pequeno em volume absoluto, o sinal é claro: o mercado latino-americano de língua espanhola, fora Argentina e Chile, começa a responder a campanhas direcionadas.

Para Bruno Reis, presidente da Embratur, “os dados de emissão de passagens nos ajudam a entender de onde vem esse público e a direcionar a promoção do Brasil nos mercados com maior potencial”. A leitura interna é que a conectividade aérea direta e a facilidade de vistos vêm funcionando como alavancas.

O peso do evento no turismo paulistano

Os 15 mil estrangeiros correspondem a cerca de 5% do público total de 303,6 mil pessoas que circularam pelo autódromo em 2024 — ano de recorde histórico. A fatia parece modesta, mas carrega multiplicador econômico desproporcional: estadias mais longas, gastos per capita elevados e efeito vitrine para retornos futuros.

Hotéis na zona sul e na região da Avenida Paulista já relatam ocupação acima de 90% para o período. Restaurantes de alto padrão e serviços de mobilidade premium também antecipam demanda.

O que observar nas próximas semanas

O dado atual fotografa compras até 24 de setembro. Historicamente, a curva de emissões acelera nas três semanas que antecedem a corrida, impulsionada por decisões de última hora e pacotes corporativos. Se o ritmo se mantiver, a projeção interna aponta para 17 a 18 mil internacionais — novo patamar para o GP.

Dois indicadores valem monitorar: a taxa de cancelamento (baixa em eventos âncora) e a entrada de reservas domésticas de outros estados, que não entram nessa contagem, mas incham a ocupação hoteleira.

Para quem opera no entorno — hospitalidade, varejo, mobilidade, experiências —, a janela de preparação já está aberta. O turista de F1 não compra só ingresso; ele compra a semana inteira.