As exportações brasileiras fecharam setembro em US$ 34,42 bilhões, um avanço de 12,9% frente a 2023, puxadas por uma reviravolta inesperada no mercado americano. O superávit comercial explodiu para US$ 7,74 bilhões, um crescimento de 146% na margem anual. Mas o que explica esse fôlego num cenário de tarifas elevadas?
O efeito “fim do tarifaço” nas vendas para os EUA
O destaque do mês foi a alta de 31,9% nas exportações para os Estados Unidos, totalizando US$ 3,52 bilhões. O movimento contrasta com a queda acumulada de 6,5% no ano, que reflete o peso das sobretaxas americanas.
Segundo o Mdic, a virada de chave ocorreu porque setembro de 2023 ainda sofria com tarifas sobre carne e café, suspensas apenas em outubro. Com a barreira removida, a carne bovina disparou 524% e o café avançou 108% na comparação anual. Máquinas elétricas, ferro gusa e aeronaves também engordaram a pauta.
China freia, mas segue como maior parceiro
Enquanto os EUA brilharam, o gigante asiático pisou no freio. As vendas para a China recuaram 7,6% no mês, para US$ 7,89 bilhões. A explicação técnica aponta para a redução nos embarques de carne bovina, soja e farelo de soja.
Apesar do tombo mensal, o acumulado do ano mantém trajetória positiva: alta de 12%, somando US$ 84,68 bilhões. A China continua respondendo por 22,9% de tudo o que o Brasil exporta, mantendo a hegemonia como destino número um.
Principais produtos embarcados em setembro
- Óleos brutos de petróleo: US$ 6,5 bilhões
- Soja: US$ 3,5 bilhões
- Minério de ferro: US$ 2,0 bilhões
- Café não torrado: US$ 1,3 bilhão
- Milho: US$ 1,2 bilhão
- Carne bovina: US$ 1,2 bilhão
Vizinhos em queda e o saldo da balança
O Mercosul não acompanhou o ritmo. As exportações para o bloco caíram 16,3%, com a Argentina despencando 25,2% (de US$ 1,8 bi para US$ 1,3 bi). O Oriente Médio também recuou 4,8%.
Do lado das importações, o país gastou US$ 26,68 bilhões, queda de 2,4% na anual. A corrente de comércio (soma de compras e vendas) atingiu US$ 61,10 bilhões no mês. No ano, o superávit acumulado já beira US$ 62,4 bilhões, alta de quase 35%.
O que observar daqui para frente
O dado de setembro carrega um viés de base de comparação favorável pela retirada das tarifas americanas no fim de 2023. Investidores devem monitorar se o ritmo para os EUA se sustenta nos próximos meses sem o efeito calendário, e se a demanda chinesa por commodities agrícolas retoma força no último trimestre. O câmbio e a safra de soja 24/25 serão as variáveis decisivas para manter o superávit na casa dos US$ 60 bilhões anuais.
