Economia

Cosan freia venda da Rumo: o segredo por trás da guinada de 24% nas ações

Gráfico de ações da Cosan (CSAN3) com alta de 24% e logotipo da Rumo ao fundo
Ações da Cosan disparam 24% após decisão de manter controle da Rumo

A Cosan (CSAN3) decidiu reavaliar a venda de ativos estratégicos após cortar a dívida pela metade em doze meses e surfar uma alta de 24% na Bolsa nesta semana. A mudança de rota ocorre enquanto o mercado precifica uma virada política que derruba o risco Brasil. Mas o que de fato travou os negócios que pareciam certos?

A resposta passa por uma combinação rara: caixa reforçado, juros futuros caindo e ofertas que não fazem mais sentido para o novo patamar de valuation. Entenda os bastidores da decisão que pegou analistas de surpresa.

O gatilho: eleição mexe no preço dos ativos

O primeiro turno da eleição presidencial injetou otimismo imediato. O Ibovespa saltou 6,9% e o real se valorizou 4,8% frente ao dólar em poucos dias. A leitura do mercado é clara: a vantagem do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, aumenta a probabilidade de ajuste fiscal e, consequentemente, de queda da Selic.

Para a Cosan, o cenário altera a matemática das desmobilizações. Vender agora, com o papel valorizado e o custo de capital caindo, pode significar deixar dinheiro na mesa. Fontes próximas à negociação confirmam que a empresa ganhou “margem para renegociar” os termos iniciais.

Rumo e Moove: os ativos que saíram da vitrine

O principal alvo da reavaliação é a participação na Rumo (RAIL3). Propostas recebidas nas últimas semanas embutiam um desconto de cerca de 30% sobre o preço de tela da operadora ferroviária. Com a ação da Rumo subindo junto com o índice, a diferença entre o “bid” dos compradores e o valor justo explodiu.

Outros dois movimentos estão sob análise:

  • Compass (PASS3): uma oferta adicional de ações (follow-on), agora mais atrativa com a janela de equity aberta.
  • Moove: venda de fatia na fabricante de lubrificantes, podendo ocorrer via mercado público ou negociação privada.

Em junho, a Cosan havia contratado o BTG Pactual justamente para estruturar alternativas para a Rumo. O mandato continua, mas o “preço de reserva” subiu.

A conta que fechou: R$ 10 bi e alavancagem sob controle

A tranquilidade para segurar os ativos não veio só do mercado. No fim do ano passado, a holding recebeu uma injeção de R$ 10 bilhões (US$ 2 bilhões) capitaneada pela BTG Pactual Holding e pelo Perfin Infra Fund.

O aporte, somado à venda de terras agrícolas e ao IPO da Compass, cumpriu a missão: a dívida corporativa caiu 50%. Com alavancagem controlada, a pressão por “venda a qualquer custo” evaporou. A empresa também enxugou a estrutura, demitindo cerca de 100 funcionários para ganhar eficiência operacional.

O que observar daqui para frente

O segundo turno, marcado para 25 de outubro, é a variável decisiva. Se a euforia se sustentar, a Cosan tende a ser seletiva: vende se o prêmio for generoso, espera se o desconto persistir. Para o investidor, o sinal é claro — a gestão de portfólio deixou de ser defensiva para ficar oportunista. Acompanhe os níveis de endividamento da holding e o volume de negociação da Rumo; eles ditarão o timing da próxima grande transação.