Dois modelos dividem o topo da categoria SUV elétrico no Ranking Folha Mauá 2026, mas por motivos opostos: o Chevrolet Spark Activ EUV é o rei da eficiência, enquanto o BYD Yuan Plus deixa esportivos de luxo no retrovisor. O resultado expõe uma bifurcação clara no mercado — e o bolso do comprador dita qual coroa importa mais.
O campeão que custa menos de R$ 150 mil
O Spark Activ EUV registrou 12,3 kWh a cada 100 km no ciclo urbano. Na prática, isso significa 341 km de autonomia real com uma carga cheia. O preço sugerido parte de R$ 146.990, o que o torna o elétrico mais acessível entre os líderes do ranking.
Nenhum outro SUV elétrico testado conseguiu bater essa marca de consumo em cidade. O dado coloca o modelo da GM como referência para frotistas e motoristas de aplicativo que calculam custo por quilômetro rodado.
Desempenho de supercarro por “metade do preço”
O Yuan Plus acelera de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos. O tempo iguala o do Audi SQ6, que compete na categoria Premium e custa significativamente mais. Na retomada de 80 a 120 km/h, o BYD também liderou entre os SUVs elétricos.
Para contextualizar: há poucos anos, quebrar a barreira dos 4,5 segundos era território exclusivo de Porsche Taycan e Tesla Model S Plaid. Agora, um SUV familiar chinês entrega isso por R$ 269.990.
O “intruso” japonês que não está à venda
A Nissan cedeu um Ariya — modelo não comercializado no Brasil — para compor a bateria de testes. O SUV ficou em segundo na retomada, atrás apenas do BYD. A participação serviu como benchmark técnico, já que executivos da marca usam a unidade no país.
- Período de testes: 2ª quinzena de julho/2025 a 1ª quinzena de julho/2026
- Total de veículos avaliados: 81 modelos
- Instituto responsável: IMT (Instituto Mauá de Tecnologia)
- Pista de desempenho: ZF, em Limeira (SP)
- Rota urbana: 27 km em São Caetano do Sul (ABC)
- Rota rodoviária: 31 km a 90 km/h constante
Como os números são obtidos
O IMT utiliza equipamento V-Box, baseado em sinal GPS, para cronometrar aceleração e retomada com precisão de centésimos de segundo. No consumo, um carregador instrumentado mede a energia gasta para percorrer 100 km em cada ciclo. Carros flex passam pelo mesmo ritual duas vezes — etanol e gasolina.
O que observar nos próximos meses
A diferença de R$ 123 mil entre os dois líderes mostra que o mercado brasileiro ainda não tem um “campeão único” que una eficiência extrema e performance de pista. Quem prioriza custo operacional tem caminho claro; quem quer emoção ao volante também. A tendência é que a próxima geração de plataformas — sobretudo as nacionais da GM e as novas arquiteturas da BYD — comece a fechar essa lacuna já em 2027.
