O Grupo Smart Fit acaba de fechar acordo para adquirir até 20% do Buddha Spa por até R$ 32 milhões, com opção de elevar a fatia para 30% no futuro. O movimento sinaliza muito mais do que uma simples diversificação: é a peça que faltava para montar um ecossistema completo de bem-estar. Mas a verdadeira estratégia está no destino desse capital.
O cheque que financia a travessia da Cordilheira
Os recursos injetados pela líder de academias não ficam no caixa para custear operações correntes. Eles têm endereço certo: a internacionalização da rede de spas. A primeira parada já tem data e local marcados: Santiago, no Chile, com inauguração prevista para dezembro.
A escolha não foi aleatória. Dados do Global Wellness Institute mostram que o gasto per capita em bem-estar no país andino atingiu US$ 874 em 2024 (cerca de R$ 4,5 mil). No Brasil, o mesmo indicador parou em US$ 592 (R$ 3 mil). O chileno gasta quase 50% a mais no setor.
Modelo próprio: a aposta contra franquias rápidas
Diferente da estratégia de franquias usada pela Smart Fit na Venezuela, o Buddha Spa prioriza unidades próprias na expansão sul-americana. A meta é ambiciosa: cem unidades na América Latina em cinco anos. No longo prazo, a visão projeta mil pontos entre Brasil e exterior.
O roteiro inicial mapeia cinco países além do Chile:
- Argentina
- Paraguai
- Colômbia
- Peru
- Segunda unidade no Chile
Na estreia chilena, cerca de 70% do portfólio de serviços brasileiro estará disponível, com plano de ampliar o cardápio de terapias conforme a operação amadurece.
Governança e a opção de comprar mais
O acordo prevê a assinatura de um termo de acionistas para definir a governança conjunta. A Smart Fit garantiu ainda uma opção de compra (call option) para adquirir mais 10% do capital, o que consolidaria uma posição de controle minoritário relevante (30%).
No comunicado à CVM, a empresa reiterou que a operação fortalece o ecossistema com “marcas fortes e claros diferenciais competitivos”. A leitura de mercado é que a rede de academias busca aumentar o *share of wallet* do cliente, oferecendo recuperação e estética no mesmo ecossistema do treino.
O que observar daqui para frente
A execução do plano no Chile será o termômetro para validar a tese de expansão própria versus parcerias locais. Se o modelo de unidades próprias provar rentabilidade no curto prazo, a meta de cem unidades em cinco anos deixa de ser projeção e vira referência para o setor. O investidor deve monitorar a taxa de ocupação da unidade de Santiago no primeiro trimestre de 2025 e a velocidade de assinatura dos contratos de locação na Argentina e Colômbia — os próximos alvos naturais após a estreia andina.
