Economia

Recorde de 500 mil emplacamentos: o segredo por trás da virada

Carros novos em fileira em concessionária brasileira com destaque para recorde histórico de emplacamentos
Mercado automotivo bate recorde de 509 mil emplacamentos em setembro de 2024

O mercado automotivo brasileiro quebrou a barreira das 500 mil unidades em um único mês pela primeira vez na história. Foram 509.686 veículos emplacados em setembro, uma alta de 8,32% contra o mesmo período de 2025 e 1,15% acima de agosto. Mas o que explica esse fôlego extra com o crédito ainda caro?

Automóveis e comerciais leves puxam a fila

O segmento de carros de passeio e utilitários leves foi o grande motor do resultado. Na comparação anual, o salto foi de 16,16%, enquanto o mês a mês mostrou expansão de 2,13%. Segundo a Fenabrave, a guerra de preços entre montadoras e os programas federais Move Brasil e Carro Sustentável mantêm o consumidor ativo nas concessionárias.

O presidente da entidade, Arcelio Junior, resume: a demanda por zero-quilômetro resiste mesmo em cenário de juros elevados. A competição por participação de mercado força condições comerciais agressivas que compensam, em parte, o custo do financiamento.

Caminhões e ônibus: o efeito Move Brasil

Após meses de trajetória descendente, os pesados deram sinal de vida. Caminhões cresceram 2,51% sobre agosto e 2,65% sobre setembro do ano passado. Ônibus surpreenderam com altas de 12,09% e 18,43%, respectivamente.

O programa Move, focado na renovação de frota, “estancou a sangria”, nas palavras da federação. As linhas de crédito especiais se esgotaram rápido, provando que o empresário do transporte quer investir — desde que o custo financeiro caiba no frete.

No acumulado do ano, porém, caminhões ainda acumulam queda de 3,89%. A virada mensal é bem-vinda, mas o ano ainda fecha no vermelho para o segmento.

Desempenho por segmento em setembro

  • Autos e comerciais leves: +16,16% (anual) | +2,13% (mensal)
  • Caminhões: +2,65% (anual) | +2,51% (mensal)
  • Ônibus: +18,43% (anual) | +12,09% (mensal)
  • Motocicletas: -0,41% (anual) | -0,09% (mensal)
  • Implementos rodoviários: incluídos no total geral de 509.686 unidades

Motos: estabilidade técnica ou alerta amarelo?

Duas rodas registraram variação praticamente nula: -0,09% no mês e -0,41% no ano. A Fenabrave classifica como “estabilidade”. Na prática, significa que o segmento de entrada — sensível à renda e ao crédito — parou de crescer, mas não colapsou. Vale monitorar se a retomada do emprego formal reaquece essa base nos próximos meses.

Projeção de 5,3 milhões depende de outubro

A entidade manteve a previsão de alta de 8,6% para 2026, o que empurraria o total para além de 5,3 milhões de unidades. A ressalva é estratégica: a revisão final sairá em novembro, após o termômetro de outubro.

O risco está na manutenção dos incentivos e no comportamento da Selic. Se o crédito não der novo alívio, o ritmo atual de 4,2 milhões no acumulado (janeiro a setembro) pode perder tração no sprint final.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o fechamento do ano: a continuidade dos programas federais de fomento, a inadimplência das famílias — que ancora a liberação de financiamento — e o volume de dias úteis em outubro e novembro. Quem opera no setor deve traçar cenários com e sem renovação do Move Brasil; a diferença no fluxo de caixa pode ser expressiva.