Economia

Safra mexe na carteira: 3 trocas para blindar o portfólio da volatilidade eleitoral…

Gráfico de carteira de ações do Banco Safra com ajustes para volatilidade eleitoral em outubro
Banco Safra realiza três trocas na carteira recomendada para blindar portfólio da turbulência eleitoral.

O Banco Safra promoveu três alterações na carteira recomendada de ações para outubro, movendo as peças do tabuleiro para enfrentar a turbulência esperada no período eleitoral. O portfólio fechou setembro com alta de 5,21%, superando o Ibovespa em 18 pontos-base.

As mudanças sinalizam uma defesa ativa: saem nomes expostos a ciclos de crédito e habitação de baixa renda; entram ativos com gatilhos de curto prazo e tese de crescimento secular. O que muda na prática para quem segue a estratégia?

O que saiu — e por que o timing importa

O BTG Pactual (BPAC11) deixou a seleção após valorização superior a 15% no mês passado. A realização de lucro faz sentido técnico, mas também reduz exposição direta ao ciclo de crédito deteriorado que preocupa os analistas.

A Direcional (DIRR3) foi a segunda baixa. A construtora perdeu espaço diante da piora nas perspectivas para o segmento de moradia popular, pressionado por custos de funding e restrições orçamentárias.

As entradas: B3, Rede D’Or e Iguatemi

No lugar do BTG, a B3 (B3SA3) assume peso de 15% — o maior da carteira. A aposta apoia-se na expectativa de volumes e receitas mais fortes no quarto trimestre, impulsionados pela atividade sazonal dos mercados.

A Rede D’Or (RDOR3) entra com 8% sustentada por histórico de execução, qualidade de ativos e uma tese de crescimento secular no setor de saúde. Diferente do nome anterior, não depende de ciclo imobiliário de baixa renda.

No varejo de shoppings, a Multiplan (MULT3) cede vaga à Iguatemi (IGTI11). O valuation mais atrativo e gatilhos específicos mais visíveis ditaram a troca intrassetorial.

Ajuste fino em Utilidades: mais geração, menos distribuição

O setor de Utilidades Básicas sofreu calibragem cirúrgica. A Equatorial (EQTL3) caiu de 12% para 10%, enquanto a Copel (CPLE3) subiu de 8% para 10%. O movimento eleva a exposição ao segmento de geração em detrimento de distribuição.

Confira a composição final para outubro:

  • WEG (WEGE3) — Bens de Capital | 12% (mantido)
  • B3 (B3SA3) — Serviços Financeiros | 15% (entrada, era 0%)
  • Caixa Seguridade (CXSE3) — Serviços Financeiros | 10% (mantido)
  • Rede D’Or (RDOR3) — Saúde | 8% (entrada, era 0%)
  • Vale (VALE3) — Siderurgia e Mineração | 10% (mantido)
  • Petrobras (PETR4) — Petróleo e Gás | 10% (mantido)
  • Iguatemi (IGTI11) — Shoppings Centers | 10% (entrada, era 0%)
  • Gerdau (GGBR4) — Siderurgia e Mineração | 5% (mantido)
  • Copel (CPLE3) — Utilidades Básicas | 10% (aumentado de 8%)
  • Equatorial (EQTL3) — Utilidades Básicas | 10% (reduzido de 12%)

Desempenho recente valida a abordagem?

Em setembro, a carteira entregou 5,21% contra 5,03% do Ibovespa. A vantagem parece modesta, mas em meses de alta volatilidade a consistência de superar o benchmark — mesmo que por margem estreita — reforça a tese de gestão ativa de risco.

O dado relevante não é o retorno absoluto, mas a capacidade de navegar setores sensíveis ao ciclo político sem perder tração. A sobreposição de financeiras (B3 e Caixa Seguridade somam 25%) e commodities (Vale, Petrobras, Gerdau somam 25%) cria um colchão setorial.

O que observar daqui para frente

O calendário eleitoral dita o ritmo até outubro. Pesquisas recentes mostram cenário de empate técnico no segundo turno, o que mantém a volatilidade elevada. Dois gatilhos merecem monitoramento: a divulgação de prévias operacionais do terceiro trimestre — que começa nas próximas semanas — e a definição de regras para o novo ciclo de crédito imobiliário.

Para quem replica a estratégia, a lição prática é clara: a rotação não busca apenas alpha, mas resiliência. A exposição a geração de energia (Copel) e saúde (Rede D’Or) adiciona descorrelação em relação ao ciclo político doméstico. O próximo rebalanceamento, em novembro, deve revelar se a aposta na B3 como âncora de 15% se sustenta pós-eleição.