Economia

Shein despenca 11%: o segredo por trás do tombo pós-IPO

Gráfico de ações da Shein caindo 10,71% na Bolsa de Hong Kong após IPO
Ações da Shein despencam 10,71% no primeiro balanço pós-IPO, com lucro operacional caindo pela metade.

As ações da Shein afundaram 10,71% na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (29), reagindo ao primeiro balanço trimestral desde a estreia no mercado. A receita mal avançou 1% no semestre, enquanto o lucro operacional derreteu pela metade. O mercado já precifica um cenário bem mais duro do que o prometido no prospecto.

O choque de realidade nos números

O fechamento a 31,50 dólares de Hong Kong (cerca de R$ 21) representa uma desvalorização de 14,3% no pico da sessão. Desde o IPO de setembro, o papel acumula queda superior a 35%, distanciando-se violentamente da avaliação de US$ 100 bilhões obtida em rodadas privadas de 2022. Hoje, a gigante do fast fashion vale cerca de US$ 26,3 bilhões.

Dois pilares sustentavam a tese de investimento: crescimento agressivo e expansão de margem. O relatório de segunda-feira (28) quebrou os dois. A receita líquida na Europa recuou 13,9% no segundo trimestre, para US$ 3,8 bilhões. Nos EUA, a queda foi de 6% no mesmo período.

Por que a receita encolheu nos mercados-chave

A empresa admitiu o motivo em nota oficial: a redução no volume de vendas decorre do aumento de preços e do corte em publicidade online. A estratégia antecipa o fim da isenção tarifária *de minimis* — a regra que permitia entrar mercadorias de até US$ 800 sem taxação nos EUA.

  • Europa: queda de 13,9% na receita (2º tri).
  • EUA: retração de 6% entre abril e junho.
  • Lucro operacional: caiu 50% no semestre.

Mas o efeito mais relevante aparece na estrutura de custos. A administração decidiu absorver as despesas de frete e tarifas em vez de repassá-las ao consumidor final, protegendo a competitividade. O resultado imediato é a compressão da margem.

O custo invisível da logística local

Para driblar as barreiras alfandegárias, a Shein estoca produtos em armazéns europeus. A analista Catherine Lim, da Business Intelligence, alerta que isso elevará os custos logísticos no curto prazo. A aposta em marcas de ticket médio mais alto — ainda não comprovada — seria o vetor de recuperação apenas para 2027.

Enquanto isso, a concorrência não espera. Temu e AliExpress avançam no mesmo segmento de baixo custo, pressionando a fatia de mercado. Some-se a isso o escrutínio regulatório sobre impacto ambiental e direitos humanos, e o cenário para o investidor fica turvo.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o próximo movimento: a velocidade de adaptação da cadeia de suprimentos às novas regras alfandegárias, a aceitação do consumidor a preços mais altos e a capacidade de converter o tráfego em margem sem depender de subsídios de marketing. Quem acompanha o setor deve monitorar o guidance de Capex para 2025 — ele revelará se a empresa aposta em crescimento ou em defesa de caixa.