O Zaftra, fundo multimercado especializado em transformar resultados eleitorais em oportunidades de trade, corre o risco de ficar de fora da operação na semana decisiva para o Brasil. A gestão do veículo está paralisada por um impasse societário que agora depende de uma manifestação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Setenta dos cem cotistas votaram pela troca da administradora — saindo da ASA Asset Management para a B.Side Wealth Management. A assembleia ocorreu no dia 8, mas a formalização travou porque a ASA simplesmente não compareceu.
O que está por trás da recusa da gestora atual
A ASA tentou impedir a reunião com um pedido de liminar no Tribunal de Justiça de São Paulo. O pedido foi negado, mas o mérito da ação ainda será julgado. Enquanto o processo corre, o fundo fica em um limbo regulatório: sem gestora formalizada para executar as ordens, a atuação na reta final das eleições torna-se juridicamente arriscada.
Para o investidor, o cenário desenha duas possibilidades imediatas:
- A CVM autoriza a troca e o fundo opera normalmente na próxima semana;
- A autarquia exige mais prazo ou determina a manutenção do status quo, tirando o Zaftra do jogo.
Uma máquina de identificar assimetrias eleitorais
Não é à toa que os cotistas quiseram a mudança. Desde abril de 2023, o fundo cobriu 36 campanhas eleitorais globais. O resultado foi positivo em 31 delas — uma taxa de acerto de 86%.
A estratégia não aposta em “quem vai ganhar”, mas sim em onde o mercado erra a precificação. A equipe da Gauss Capital, criadora do fundo, mapeia distorções entre as probabilidades reais dos resultados e os preços dos ativos negociados — ações, moedas e títulos de renda fixa, com foco em mercados emergentes.
O efeito prático para quem tem posição no fundo
Se a CVM não se manifestar a tempo, o Zaftra entra em “modo manutenção”: posições existentes podem ser carregadas, mas novas alocações — justamente as que capturam a volatilidade da semana eleitoral — ficam congeladas. Quem investiu buscando exposição tática ao pleito brasileiro pode ver a janela fechar sem poder ajustar a vela.
O imbróglio também expõe um risco muitas vezes ignorado em fundos de nicho: a governança do prestador de serviços. A vontade majoritária dos cotistas (70%) não foi suficiente para garantir a execução imediata da decisão.
O que observar daqui para frente
Os próximos dias definirão se o histórico de 86% de acerto terá mais um capítulo ou se a burocracia vai ditar o resultado. Acompanhe o site da CVM por comunicados sobre o processo administrativo e fique atento a comunicados da B.Side ou da Gauss Capital sobre a operacionalidade do fundo. Se a autorização sair na sexta-feira, a equipe terá poucas horas para montar as posições de segunda. Se não sair, o fundo vira espectador de um jogo que aprendeu a jogar melhor que o mercado.
