Economia

Azeite brasileiro quebra recorde mundial e deixa Europa em alerta

Garrafa de azeite Sabiá premiado com medalha Flos Olei 2027 em fundo de olival brasileiro
Azeite Sabiá conquista prêmio de melhor extração no Flos Olei 2027, feito inédito para o Brasil.

O azeite Sabiá acaba de conquistar o prêmio de melhor sistema de extração do Flos Olei 2027, tornando-se o primeiro produto nacional a vencer essa categoria na história da premiação italiana. A cerimônia acontece em 11 de dezembro, em Roma, mas o impacto já ecoa nos olivais do Rio Grande do Sul a Minas Gerais.

Não é sorte. É o segundo título internacional da marca em três anos — e a prova de que o Brasil entrou no mapa da alta qualidade mundial.

O que esse prêmio realmente significa

O reconhecimento não premia apenas o líquido na garrafa. Ele valida todo o processo: do manejo do olival ao tempo exato entre a colheita e o processamento. No caso do azeite Picual, vencedor da categoria, cada hora conta. Cada grau de temperatura importa. Cada decisão no campo define se o resultado será “bom” ou “excepcional”.

“Transformar esse potencial em qualidade na garrafa exige precisão em todas as etapas”, resumem Bia Pereira e Bob Vieira da Costa, fundadores do Sabiá. A frase soa simples. A execução, não.

Por que o Picual mudou o jogo

A variedade Picual é tecnicamente exigente. Sensível à oxidação, demanda colheita no ponto exato de maturação e processamento imediato — idealmente em menos de quatro horas. O sistema premiado do Sabiá integra:

  • Monitoramento de maturação por análise sensorial e laboratorial
  • Colheita mecanizada noturna para preservar compostos voláteis
  • Linha de extração a frio com controle de atmosfera inerte
  • Filtragem por gravidade sem adição de adjuvantes

O resultado aparece nos números: 98 pontos em 100 no guia Flos Olei 2027, empatado com a Prosperato como as marcas brasileiras mais bem avaliadas.

O mapa do azeite brasileiro em 2027

A edição deste ano do guia italiano reúne 500 propriedades de 58 países. O Brasil emplacou 15 marcas — 11 gaúchas e 4 mineiras. A concentração no Sul não é coincidência: clima subtropical, invernos rigorosos e verões secos criam o terroir ideal para oliveiras de alta performance.

Mas a expansão para Minas Gerais sinaliza algo novo. Altitudes acima de 900 metros no Sul de Minas replicam condições mediterrâneas com identidade própria. O Brasil não copia a Europa. Adapta.

O efeito cascata para quem investe

Prêmios técnicos abrem portas comerciais que marketing sozinho não abre. O título de “melhor sistema de extração” posiciona o Sabiá — e por extensão o azeite brasileiro — em prateleiras premium de Europa, EUA e Ásia com argumento técnico inegociável.

Para investidores, o sinal é claro: a barreira de entrada subiu. Qualidade artesanal não basta mais. O mercado premia sistemas replicáveis, rastreáveis e auditáveis. Quem não profissionalizar a extração, perde espaço.

O que observar nos próximos 12 meses

A cerimônia em Roma será vitrine. Mas o movimento real acontece depois: ampliação de capacidade produtiva mantendo os parâmetros premiados, entrada em novos mercados com certificação Flos Olei como credencial, e pressão competitiva sobre os demais 13 produtores brasileiros listados.

O Brasil tem 15 marcas no guia. Duas no topo. A pergunta que fica: quantas estarão lá em 2028 — e em que posições?