Justiça

STF à beira do rompimento: o segredo que ninguém conta sobre a corte…

Fachada do Supremo Tribunal Federal em Brasília sob céu nublado, simbolizando tensão institucional
STF vive clima de confronto interno entre ministros Gilmar Mendes, Fux e Toffoli

A tensão interna no Supremo Tribunal Federal atingiu um nível que torna o confronto direto entre ministros uma possibilidade real nos corredores da corte. O clima de animosidade não é novo, mas a escalada recente sugere que o limite da convivência institucional foi ultrapassado.

O tabuleiro de poder por trás das togas

A composição atual da bancada masculina concentra pelo menos três perfis dominantes que disputam protagonismo: Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli. Cada um acumula capital político e histórico dentro do tribunal, o que alimenta uma dinâmica de ciúmes institucionais que, paradoxalmente, costuma ser atribuída ao gênero oposto.

A única mulher na composição, Cármen Lúcia, mantém postura discreta — não usa toga acetinada nem participa de eventos sociais internacionais frequentes. Sua conduta contrasta com a exposição dos colegas e reforça a percepção de que o desgaste não decorre de gênero, mas de projetos de poder pessoais.

O bedel que a corte não elegeu

Uma das fontes de atrito mais visíveis é a atuação de Gilmar Mendes como se fosse o guardião informal dos ritos e precedentes do tribunal. Nenhum ato administrativo ou regimento interno lhe conferiu tal função. Se a corte precisasse de um bedel oficial, o servidor mais demandado de Brasília ocuparia o cargo — tamanha a frequência de intervenções processuais e regimentais.

Essa informalidade gera insegurança jurídica. Advogados e partes não sabem se as decisões seguem o regimento ou a vontade momentânea de quem se arroga a tutela do processo.

O eco vazio dos discursos na ONU

Enquanto o STF ferve, a diplomacia brasileira repete um ritual frustrado a cada setembro. Presidentes viajam a Nova York para a Assembleia-Geral das Nações Unidas na esperança de repercussão na imprensa americana. O resultado costuma ser o silêncio.

Nos anos 80, o embaixador Sérgio Corrêa da Costa dedicou meses a cultivar o editor de editoriais do The New York Times. Em 1982, o general João Figueiredo discursou e o jornal publicou editorial elogioso — mas errou o nome do presidente: “José Figueiredo”. O equívoco encerrou qualquer expectativa de impacto real.

O precedente de 1964 que ainda ensina

O episódio mais citado da cobertura americana sobre o Brasil data de 3 de abril de 1964. O editorial “Finis for Goulart” classificou o então presidente como “incompetente” e “irresponsável”. A autoria provável é de Herbert Matthews, correspondente que entrevistou Fidel Castro na Sierra Maestra em 1958, quando o governo cubano dava o guerrilheiro por morto.

Matthews era o homem da América Latina no jornal. Seu olhar moldou a percepção americana sobre a região por décadas.

  • 1964: Editorial “Finis for Goulart” — marco histórico da cobertura externa
  • 1982: Elogio a Figueiredo com nome trocado — símbolo da irrelevância prática
  • Atualidade: Discursos presidenciais na ONU seguem sem eco na grande mídia dos EUA

O que observar nos próximos meses

A conjugação entre a instabilidade interna do STF e a irrelevância internacional dos discursos presidenciais desenha um cenário de vácuo de liderança institucional. O tribunal pode caminhar para uma reforma regimental que limite atuações informais, ou para o agravamento do conflito aberto. No plano externo, a diplomacia precisa rever a estratégia de exposição em fóruns multilaterais — ou aceitar que o Brasil deixou de ser pauta prioritária para a imprensa hegemônica. Acompanhar a próxima sessão plenária e o discurso de setembro na ONU dará a medida exata de qual caminho prevalecerá.