A cafeicultora Bhreenda Thomás, de Paraguaçu (MG), foi coroada Miss Brasil Café 2027 no último sábado (26), em Varginha. O título, porém, carrega um peso estratégico que vai muito além da faixa e da coroa: ela assume a missão oficial de projetar a liderança feminina na cafeicultura nacional e internacional.
O concurso aconteceu durante o 4º Encontro Nacional de Lideranças Mulheres do Café do Brasil, reunindo oito candidatas de quatro estados. A escolha sinaliza uma transformação silenciosa no agronegócio: a consolidação das mulheres como protagonistas na tomada de decisão e na promoção do café especial brasileiro.
Quem é a nova embaixadora e por que o mercado deve prestar atenção
Bhreenda tem 30 anos, é mãe, produtora rural e cursa técnico em cafeicultura. Natural de Roraima, migrou para o Sul de Minas na infância e construiu sua trajetória dentro da lavoura da família, à frente da marca Prado Cafés Especiais. Seu currículo inclui formação em torra, classificação e degustação — competências técnicas que a diferenciam de embaixadores puramente institucionais.
Essa combinação — vivência de campo, gestão de marca própria e qualificação técnica — torna sua atuação relevante para compradores, torrefadores e investidores que buscam rastreabilidade e narrativa consistente no café especial.
A corte completa e a divisão de frentes de atuação
O título não é isolado. A corte de 2027 foi estruturada em quatro frentes, cada uma com mandato definido:
- Miss Brasil Café 2027: Bhreenda Thomás (Paraguaçu/MG) — representação nacional e internacional do setor.
- Girl Coffee International 2027: Emilly Benedito (Rondônia) — atuação em eventos globais e fóruns internacionais.
- Miss Agronegócio 2027: Giovanna Xavier (Alto Paranaíba/MG) — ponte com o agronegócio amplo e cadeias correlatas.
- Rainha Expocafé 2027: Jéssica P. Oliveira (Coqueiral/MG) — foco na maior feira do setor e relacionamento comercial.
Essa divisão multiplica os pontos de contato do café brasileiro com diferentes audiências — de feiras técnicas a negociações diplomáticas.
O que o encontro em Varginha revela sobre o setor
O 4º Encontro Nacional de Lideranças Mulheres do Café do Brasil não serviu apenas de palco para o concurso. O evento concentrou discussões sobre sucessão familiar, acesso a crédito, certificação e mercado de carbono — temas que impactam diretamente a rentabilidade das propriedades.
A presença de lideranças de quatro estados (Minas Gerais, Rondônia, e outros dois não divulgados) indica capilaridade do movimento. Não é um fenômeno restrito ao Sul de Minas: a representatividade feminina está se expandindo para novas fronteiras cafeeiras, como o Cerrado e a Amazônia.
Por que isso importa para quem investe ou compra café
Marcas lideradas por mulheres têm demonstrado maior aderência a práticas de rastreabilidade, sustentabilidade certificada e storytelling autêntico — atributos cada vez mais valorizados no mercado de especiais e nos contratos de longo prazo com torrefadores globais.
Além disso, a profissionalização da comunicação setorial, agora com porta-vozes técnicas e não apenas simbólicas, reduz ruídos na transmissão de informações sobre safra, qualidade e inovação.
O que observar nos próximos meses
A agenda da nova corte começa imediatamente: missões em feiras internacionais, rodadas de negócios e atuação em comissões técnicas. Para o empresário do setor, o sinal claro é que a governança do café brasileiro está incorporando a diversidade como ativo estratégico — não como ação social.
Acompanhar a atuação dessas lideranças em fóruns de certificação, negociações de acordos comerciais e debates sobre clima será termômetro da capacidade do Brasil de manter protagonismo no café de alta qualidade. A coroa é simbólica; a influência, mensurável.
