O candidato Isael Munduruku (Rede) propõe linhas de crédito com taxas reduzidas para empreendedores do turismo no Amazonas — uma aposta direta na geração de renda no interior. A medida integra um pacote que prevê ainda qualificação profissional de jovens e melhorias na infraestrutura do setor. O anúncio ocorreu durante caminhada na Zona Leste de Manaus neste sábado (26).
O que muda para quem empreende no interior
Pela primeira vez, um plano de governo estadual coloca o microcrédito turístico no centro da estratégia de desenvolvimento regional. A promessa é de juros “pequenininho”, nas palavras do candidato, para que pequenos negócios — pousadas, guias, artesanato, restaurantes — possam investir sem comprometer o caixa.
Hoje, a maioria desses empreendedores depende de bancos privados ou programas federais com exigências burocráticas que excluem a base da pirâmide. A proposta estadual previa atuar como ponte direta, reduzindo intermediários e prazos de liberação.
Juventude e turismo: a aposta na capacitação
Além do crédito, o plano prevê a criação de programas de qualificação profissional voltados a jovens amazonenses. O foco recai sobre competências técnicas para o trade turístico: hospitalidade, guiamento bilíngue, gestão de pequenos empreendimentos e preservação ambiental.
A ideia é romper o ciclo de informalidade que marca o setor no interior. Dados do IBGE mostram que o Amazonas tem mais de 60% da força de trabalho na informalidade — percentual que sobe nas regiões ribeirinhas e indígenas.
Infraestrutura: o gargalo invisível
Não há turismo sustentável sem estradas, saneamento, internet e sinalização. O candidato reconhece o déficit e propõe parcerias com a iniciativa privada para endereçar as lacunas logísticas que isolam destinos de alto potencial, como a Terra Indígena Kwatá-Laranjal, onde cresceu.
Essa frente dialoga diretamente com o Plano Estadual de Turismo, que estima em R$ 1,2 bilhão o investimento necessário para estruturar 15 rotas estratégicas até 2030.
Comparativo rápido: cenário atual vs. proposta
- Crédito hoje: juros médios de 1,8% a.m. (BNDES/FNO) com garantias reais
- Proposta: taxas subsidiadas, garantias alternativas (fundo de aval)
- Capacitação: cursos esparsos, sem certificação reconhecida
- Proposta: trilhas formativas com certificação estadual e selo de qualidade
- Infraestrutura: investimento reativo, concentrado na capital
- Proposta: plano integrado com metas por microrregião
O calendário eleitoral e o que vem por aí
A campanha de rua começou em 16 de agosto; a propaganda no rádio e na TV, em 28 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Até lá, os candidatos a governador terão de detalhar como financiarão as promessas sem comprometer o equilíbrio fiscal do estado — que fechou 2024 com dívida consolidada acima de R$ 25 bilhões.
Munduruku, que nunca disputou cargo majoritário, aposta na narrativa de “diálogo com o mercado” para atrair eleitores descontentes com a gestão atual. Seu vice e a chapa proporcional ainda não foram oficializados no TRE-AM.
O que observar nas próximas semanas
Três pontos definirão a viabilidade real da proposta: (1) a fonte de recursos para o fundo de crédito — se virá de royalties, fundo constitucional ou parceria com bancos públicos; (2) o desenho da governança do programa de qualificação, evitando sobreposição com o Sistema S; (3) a receptividade das prefeituras do interior, que controlam o licenciamento e a ordenação turística local. Empresários do setor devem cobrar cronograma e métricas de resultado antes de assumir compromissos de investimento.
