Economia

Tarcísio chama ban de bets de ‘oportunismo’… mas admite: ‘acaba com o Brasil’

Tarcísio de Freitas discursa sobre regulamentação de bets e oportunismo eleitoral
Governador critica timing de proibição de apostas, mas reconhece riscos às famílias

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou a proibição das bets como “oportunismo eleitoral” puro, argumentando que o governo federal só despertou para o problema a nove dias do pleito. Ao mesmo tempo, ele reconheceu que as apostas representam uma ameaça real às famílias brasileiras. Essa tensão entre crítica política e concordância de fundo marca o novo capítulo da queda de braço em torno da regulamentação do setor.

O timing que irrita o Palácio dos Bandeirantes

Para Tarcísio, o anúncio feito pelo presidente Lula (PT) na sexta-feira (26) carrega viés eleitoral explícito. O governador aponta que a gestão federal teve quatro anos para endereçar o endividamento das famílias, mas escolheu a véspera da eleição para agir. “O senso de urgência só foi desenvolvido agora”, disse a jornalistas durante agenda de campanha na capital paulista.

O pano de fundo é a disputa presidencial: Lula tem como principal adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL), aliado de Tarcísio. A medida atinge um setor que movimenta bilhões e patrocina times de futebol, o que amplia o alcance político da decisão.

Juros altos, renda apertada e a fuga para as apostas

O governador conecta a explosão das bets à política econômica federal. Segundo ele, a taxa Selic elevada — consequência, na sua visão, do gasto público excessivo — empurra a população para o endividamento. Muitos brasileiros, sem saída, passam a ver nas apostas uma chance de complementar a renda.

“As pessoas estão se endividando nas bets, buscando melhorar a sua renda. E isso é ilusão, porque não consegue, só joga dinheiro fora”, afirmou. Tarcísio sustenta que uma semana de medidas não apaga quatro anos de deterioração do poder de compra.

Eleitor “vacinado” contra medidas de véspera

Tarcísio acredita que o eleitor que convive com aperto financeiro desenvolveu imunidade a anúncios de última hora. Citou o programa Desenrola, que teve nova edição lançada nesta semana, como exemplo de ação que resolve passivo antigo, mas não garante solvência futura.

“O brasileiro não quer viver de Desenrola em Desenrola. A gente tem que começar a olhar como é que a conta vai fechar no futuro”, declarou. A fala sinaliza a estratégia de campanha: deslocar o debate do alívio pontual para a sustentabilidade fiscal.

Contra as bets, mas a favor da “segurança jurídica”

Apesar das críticas ao momento e ao método, o governador reafirmou ser “absolutamente contra” jogos de azar. Em declarações anteriores, chegou a dizer: “ou o Brasil acaba com esse negócio ou isso acaba com o Brasil, acaba com a sociedade, acaba com as pessoas”.

O entanto, defende uma transição ordenada. Pontos que, segundo ele, precisam de clareza:

  • Destino dos recursos de patrocínio que clubes de futebol deixarão de receber
  • Riscos de insegurança jurídica para operadores e investidores
  • Critérios técnicos para a proibição, não apenas políticos

“Não faz sentido o governo apoiar times de futebol que perderão recursos de patrocínios das casas de apostas. Vamos ajudar os clubes com o dinheiro do trabalhador?”, questionou.

O que o governo federal propõe na prática

A medida anunciada pelo Planalto prevê advertência, multa e suspensão de atividades para empresas que descumprirem as novas regras. Lula classificou a atitude como “muito drástica” e disse que as apostas viraram “desgraça na vida das pessoas pobres”. A proibição vale para todo o território nacional e atinge tanto operadores nacionais quanto internacionais sem licença brasileira.

O que observar daqui para frente

Três frentes merecem atenção nos próximos dias: a reação do Congresso, onde a bancada da bola tem peso; eventuais questionamentos judiciais baseados em vício de iniciativa ou violação de contratos de patrocínio; e o impacto real no endividamento das famílias, que depende mais de renda e juros do que da disponibilidade de sites de aposta. O mercado financeiro também monitora se a medida afeta a arrecadação prevista com a tributação do setor, estimada em bilhões para 2025.