O Canal do Porto de Santos foi fechado às 3h20 deste sábado (26) após um nevoeiro denso reduzir a visibilidade a zero, travando a entrada e saída de navios no maior complexo portuário da América do Sul. A paralisação reacende o temor de um cenário idêntico ao de julho, quando o mesmo fenômeno gerou prejuízos estimados em R$ 4,1 milhões em apenas 20 horas.
Às 8h05, a Praticagem de São Paulo confirmava que as navegações seguiam suspensas sem previsão de reabertura. A dúvida que move o mercado agora é: a janela de tempo ensolarado prevista para a tarde será suficiente para escoar a fila de embarcações antes que a neblina retorne à noite?
O impacto imediato na logística e nos custos
Cada hora de canal fechado representa contêineres parados, navios demorando (custo de espera) e cadeias de suprimento desajustadas. Diferente de greves ou falhas mecânicas, o nevoeiro é uma variável incontrolável que impõe decisões em tempo real aos armadores e operadores de terminais.
Enquanto o complexo portuário permaneceu parado, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) informou que as travessias de balsa da região — incluindo Santos/Guarujá e Vicente de Carvalho/Santos — já haviam sido normalizadas por volta das 8h, assim que a visibilidade melhorou nas áreas costeiras.
O precedente de julho que assombra o setor
No início do mês, um evento meteorológico semelhante manteve o porto fechado por mais de 20 horas consecutivas. O balanço financeiro daquela ocasião serve como referência para as projeções atuais:
- Tempo de parada: Superior a 20 horas;
- Prejuízo estimado: Cerca de R$ 4,1 milhões;
- Causa: Baixa visibilidade por nevoeiro advecção (formado pelo ar quente sobre mar frio).
A semelhança das condições atmosféricas coloca operadores e investidores em alerta máximo. A Capitania dos Portos e a Autoridade Portuária de Santos (APS) foram acionadas, mas não haviam emitido posicionamento oficial até o fechamento desta matéria.
Previsão: trégua à tarde, risco redobrado à noite
Segundo o Climatempo, a massa de ar úmido deve se dissipar ao longo da manhã, abrindo espaço para um período ensolarado à tarde com temperaturas entre 17°C e 26°C e ventos fracos (até 25 km/h). Não há previsão de chuva.
O cenário ideal seria a reabertura do canal ainda pela manhã, permitindo a movimentação intensa durante a tarde. No entanto, o alerta permanece: a previsão indica retorno do nevoeiro no período noturno, o que pode fechar o canal novamente antes que a fila de navios seja zerada.
O que observar nas próximas horas
Profissionais de comércio exterior e logística devem monitorar três variáveis críticas: o comunicado oficial da Praticagem autorizando a navegação, a velocidade de processamento dos terminais para absorver a demanda reprimida e a evolução da nebulosidade ao entardecer. Se a reabertura não ocorrer até o meio-dia, a probabilidade de um novo ciclo de 20 horas de parada aumenta consideravelmente, replicando o impacto financeiro de semanas atrás.
