Economia

Paraná 2026: A disputa real começa nas ruas e expõe dois projetos de poder

Campanha eleitoral 2026 nas ruas do Paraná com apoiadores e candidatos a governador
Início da disputa pelo Palácio Iguaçu mobiliza ruas e revela dois projetos de poder antagônicos

A campanha eleitoral saiu do papel e ocupou as ruas do Paraná neste sábado (26), revelando o mapa inicial de forças para o Palácio Iguaçu. O que se viu não foram apenas caminhadas, mas a definição tática dos dois polos que devem ditar o rumo econômico do estado nos próximos quatro anos.

De um lado, a máquina estadual a todo vapor; do outro, a aposta no capital político nacional. No meio, seis candidaturas que correm por fora, mas podem definir o segundo turno.

O tabuleiro se move: interior versus capital

Sandro Alex (PSD) desenhou a rota mais extensa do dia, costurando a Região Metropolitana, os Campos Gerais e a capital. A presença do governador licenciado Ratinho Junior na carreata de Ponta Grossa, às 10h30, funcionou como um carimbo institucional: a estrutura do governo trabalha pela sucessão direta.

O roteiro previa sete bairros de Curitiba à tarde, além de paradas em São José dos Pinhais e Pinhais. A lógica é clara: saturar o colégio eleitoral onde a densidade populacional decide a eleição, sem abandonar o interior que elegeu o atual governador.

Enquanto isso, Sergio Moro (PL) concentrou forças em Maringá. A carreata às 16h na Avenida Sônia Guerra Nogaroli e o evento noturno na Paraná Expo sinalizam a aposta no Norte/Noroeste — reduto bolsonarista forte — e na conexão direta com o eleitorado de direita que não vota necessariamente na continuidade administrativa.

O vácuo de Requião e o fator “terceira via”

A ausência de agenda pública de Requião Filho (PDT) até o fechamento da edição chamou a atenção dos analistas. Em uma eleição onde a exposição diária conta pontos na memória do eleitor, o silêncio estratégico — ou a falta de estrutura — pode custar caro na largada.

Os demais seis candidatos (PCO, Mobiliza, PSTU, Missão, UP) realizaram atos pontuais, majoritariamente voltados à militância de base. Sem tempo de TV expressivo nem capilaridade partidária, o papel deles tende a ser o de “faça-voto” qualificado ou fiadores de pautas específicas nos debates.

Calendário decisivo: datas que o mercado deve anotar

  • 16/08: Início oficial da campanha (já ocorrido).
  • 04/10: Primeiro turno.
  • 25/10: Eventual segundo turno.
  • Final de agosto/início de setembro: Início do horário eleitoral gratuito no rádio e TV — o verdadeiro “primeiro turno” da comunicação de massa.

A propaganda eleitoral gratuita costuma ser o divisor de águas para candidaturas com menor recall. É lá que Sandro Alex tentará colar sua imagem à aprovação de Ratinho Junior, enquanto Moro buscará nacionalizar o debate, trazendo pautas federais para o palanque estadual.

Por que o empresariado deve monitorar a agenda de agosto

As primeiras semanas de rua servem como termômetro da capacidade operacional de cada campanha. Logística de carreatas, adesão de prefeitos do interior e volume de material impresso nas bases revelam saúde financeira e articulação política — ativos que, no setor privado, equivalem a “caixa” e “governança”.

Além disso, o desenho das alianças proporcionais (deputados estaduais e federais) que apoiam cada majoritária definirá a composição da próxima Assembleia Legislativa. É dali que sairão as pautas tributárias, ambientais e de infraestrutura que impactam diretamente o custo de fazer negócios no Paraná.

O que observar daqui para frente

O próximo fim de semana deve trazer as primeiras pesquisas de intenção de voto registradas no TSE. Elas vão calibrar se a estratégia de “inundar o mapa” de Sandro Alex supera a “verticalização em redutos” de Moro. Fique atento também aos convites para sabatinas das federações industriais (Fiep) e comerciais (Fecomércio): a recusa ou a performance nelas costuma antecipar o alinhamento regulatório de cada projeto.

Até outubro, a regra é simples: quem organiza a base no interior e converte a máquina em votos na capital larga na frente. O resto é ruído.